Cultura Portugal já tem acordo com Christie’s para novo leilão das 85 obras de Miró do ex-BPN

Portugal já tem acordo com Christie’s para novo leilão das 85 obras de Miró do ex-BPN

As sociedades que gerem os activos e passivos do BPN vão voltar a ceder à leiloeira Christie’s as obras de arte de Joan Miró para posterior venda. Tal irá acontecer quando “as condições comerciais” o permitirem.
Portugal já tem acordo com Christie’s para novo leilão das 85 obras de Miró do ex-BPN
Bloomberg
Diogo Cavaleiro 19 de fevereiro de 2014 às 19:29

A leiloeira Christie’s vai voltar a vender a escultura e os 84 quadros que o Estado “herdou” com a nacionalização do BPN, segundo uma informação transmitida pelo presidente da administração da Parvalorem, Francisco Nogueira Leite.

 

“Há um acordo com a Christie’s para a realização de um novo leilão logo que as condições comerciais o permitam”, informou Nogueira Leite no Parlamento, nas comissões do Orçamento, Finanças e Administração Pública e da Educação, Ciência e Cultura, para as quais foi chamado para prestar esclarecimentos sobre a decisão de venda e expedição das obras do pintor catalão Joan Miró.

 

As obras encontram-se ainda em Londres, onde se iria realizar, no início de Fevereiro, um leilão da colecção, que acabou por ser cancelado pela leiloeira. Em causa, estavam “incertezas legais” levantadas por uma providência cautelar interposta pelo Ministério Público. Apesar disso, a Christie’s sempre manteve a ideia de que estaria disponível para retomar aquela operação. O que estará já acordado.

 

Antes disso, antes do final do mês, as obras deverão voltar a Lisboa para, depois, serem novamente exportadas. “A exemplo de todo o processo anterior, sem qualquer custo para os portugueses, os contribuintes”, garantiu Nogueira Leite na sua intervenção, numa comissão em que os ânimos estiveram bastante acesos, nomeadamente entre o responsável da Parvalorem e os deputados socialistas.

 

Francisco Nogueira Leite assegurou que as sociedades que dirige, que têm como função cobrir os passivos do antigo BPN, foram “totalmente alheias a todos os procedimentos administrativos necessários para o leilão”. 

 

“Numa das cláusulas [da minuta do contrato que serviu de base para a contratação da leiloeira], estava expresso que todas as operações de transporte, seguro e licenciamento são por conta exclusiva da leiloeira escolhida”, especificou ainda o responsável, que admitiu não saber em que data é que as obras saíram de Portugal. “É assim que acontecerá no próximo leilão que se realizar”, ressalvou Francisco Nogueira Leite.

 

Ao longo da sua intervenção, Nogueira Leite reforçou, por várias vezes, o discurso do Governo de que a prioridade é abater a dívida herdada do BPN ainda existente, acrescentando que o buraco está ainda longe de estar coberto.

 

Sem encaixe, défice sofre

 

O encaixe mínimo da licitação no leilão marcado para o início de Fevereiro era de 36 milhões de euros. O valor arrecadado poderia, contudo, ser mais elevado. No caso dos quadros de Joan Miró, o presidente das sociedades Par afirmou que se não receber dinheiro, terão de ser os contribuintes a suportá-lo, dado que terá efeitos no défice orçamental no final de 2014.

 

O processo de venda é já uma intenção de, pelo menos, Março de 2011, segundo Francisco Nogueira Leite, que, com essa indicação, remete a decisão para a administração da Parvalorem durante o Governo de José Sócrates. “Em Março de 2011, a anterior administração pedia à Caixa Geral de Depósitos autorização para aceitar dações em pagamento, para promover a venda dos quadros adquiridos e aplicar o produto de venda na amortização antecipada da dívida perante a CGD”, contou.

 

(Notícia actualizada às 20h47 com mais informações)




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