Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

PSD e oposição pintam leilão cancelado de peças de Miró com cores contrastantes

O partido de Governo defende que a venda de 85 quadros do pintor espanhol iria aliviar os contribuintes portugueses. PS e PCP defendem que interesse público ficou salvaguardado com a decisão da Christie's em cancelar o leilão. O Bloco quer a demissão de Barreto Xavier.

Bloomberg
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 04 de Fevereiro de 2014 às 20:05
  • Assine já 1€/1 mês
  • 6
  • ...

A tela começou a ser pintada há décadas. É do domínio público desde 2008. Mas só em 2014 causou forte polémica. Ao ponto de levar a pedidos de demissão e a acusações de ilegalidade. Tudo pintado em 85 peças de arte, que seriam vendidas estas terça-feira e quarta-feira mas que, por agora, vão permanecer nas mãos do Estado, depois de a Christie's ter cancelado os leilões dessas obras. Até quando, ainda não se sabe. 

 

Para o deputado Carlos Abreu Amorim, todo o recente processo em volta dos leilões de quadros de Miró não faz sentido dado que a alienação de activos do banco nacionalizado em 2008, entre os quais se inserem os 85 quadros de Miró, é uma estratégia anunciada por Maria Luís Albuquerque no Parlamento em 2012.

 

A venda dos quadros do pintor espanhol seria uma forma “de atenuar o prejuízo que o Estado e os contribuintes vão sofrer”, frisou Abreu Amorim. “Queremos atenuar o esforço dos contribuintes, resultante de uma nacionalização precipitada”, afirmou o deputado, acusando as autoridades do período entre 2008 e 2011 de não terem feito nada “para salvaguardar os interesses do Estado português” nesta questão, quando o BPN foi nacionalizado. Hoje, a alienação iria servir para pagar alguns créditos do BPN ao banco estatal.

 

Nesse sentido, o deputado social-democrata criticou a exposição dos deputados socialistas junto do Ministério Público, que o levou a interpor uma providência cautelar para impedir o leilão das obras, que acabou por não ter acolhimento. “A política tem regras e não vale tudo na política”, defendeu aos jornalistas, no Parlamento.

 

Sem vitórias, nem derrotas

 

“O interesse público, do nosso ponto de vista, foi salvaguardado”, afirmou Gabriela Canavilhas, deputada socialista que liderou um grupo de cinco deputados que quis impedir a venda por leilão das obras de Miró.

 

A antiga ministra da Cultura utilizou ainda a decisão do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa que, embora tenha chumbado a providência cautelar, criticou o processo que levou à saída daquelas 85 peças de arte de Portugal, para a argumentação. “Temos a confirmação do tribunal, que reconhece atropelos à lei que foram cometidos neste processo”, declarou.


“Não há aqui vitórias nem derrotas. Há é uma sensação de dever cumprido”, adiantou ainda Canavilhas, na sua intervenção, não sem antes criticar a “irrelevância” a que a Cultura está remetida no actual Executivo.

 

BE pede demissão de Barreto, PS pede contas de Passos

 

“O primeiro-ministro é o responsável último neste triste momento. É a ele que devemos pedir contas”, concluiu a ex-governante socialista, sublinhando que a secretaria de Estado da Cultura está sob a tutela de Passos Coelho.

 

Esta terça-feira, o Bloco de Esquerda tinha já pedido a demissão do secretário de Estado Barreto Xavier. “O senhor secretário de Estado ou foi cúmplice de desrespeito da lei [Lei de bases do património cultural] ou quebrou a lei e, por isso, não tem condições para permanecer no governo”, indicou aos jornalistas a coordenadora do bloco de esquerda Catarina Martins. Em respostas aos jornalistas, o governante afirmou que não vê razões para o fazer.

 

PCP com esperança no futuro do processo

 

“[A alienação] não corresponde ao interesse nacional, quer do ponto de vista económico e financeiro, quer do ponto de vista cultural e político”, afirmou o deputado comunista Miguel Tiago, também em afirmações aos jornalistas nesta terça-feira.

 

O PCP tem esperança que a decisão do Governo, de alienar as obras, possa ser reavaliada, dado o seu actual carácter “ilegítimo” e “ilegal”. “A suspensão do leilão por parte da Christie’s abre espaço para o PCP e todos os que estão interessados em manter as obras no país consigam travar e reverter a decisão do Governo”.

 
"Miró e as sete décadas da sua arte"

“Esta é uma das mais extensas e impressionantes ofertas do trabalho deste artista que alguma vez foi a leilão”. É assim que a Christie’s apresenta as 85 obras do artista espanhol Joan Miró, representantes de sete décadas da sua obra.

 

Inicialmente na posse de um coleccionador privado, a colecção foi adquirida pela BPN a um empresário japonês em 2006. Terá custado 34 milhões. Agora, “está a ser vendida por decisão da República Portuguesa”, que ficou com as peças de arte com a nacionalização daquele banco. O encaixe mínimo esperado era de cerca de 36 milhões.

 

Segundo a nota de imprensa da Christie’s, para a elaboração destas obras foi utilizada “uma ampla gama de materiais e técnicas". Em causa estão, também, vários temas "desde a poesia e os sonhos à música e às estrelas, mulheres e pássaros”.  

 

 

Ver comentários
Saber mais PSD Barreto Xavier Gabriela Canavilhas Miró
Outras Notícias