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Carta que anunciava saída da coligação liderada pelos EUA do Iraque era apenas um rascunho

Em carta endereçada às forças militares do regime de Bagdad, força internacional diz que a decisão tem como base o respeito pela soberania do país. Força internacional conta com 34 militares portugueses.

EPA
Sábado 06 de Janeiro de 2020 às 21:51
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A coligação internacional liderada pelos EUA enviou uma carta às forças militares do governo de Bagdad a anunciar que iria abandonar o Iraque para respeitar a soberania do país. Porém, não quer dizer que a decisão se vá tornar realidade porque a missiva era apenas um rascunho. 

 

"Em deferência pela soberania da República do Iraque, e conforme solicitado pelo Parlamento e primeiro-ministro iraquianos, a CJTF-OIR [sigla em inglês que designa a coligação internacional liderada pelos Estados Unidos - Operação Resolução Inerente] vai reposicionar as suas forças no próximo dia", escreveu o comandante da referida força, o brigadeiro-general William H. Seely III, na missiva. A veracidade da carta foi confirmada à Reuters por uma fonte militar iraquina. 

Mas logo depois, num momento de aparente contradição, a Casa Branca veio dizer que a informação não era verdadeira. "Não há qualquer decisão de saída do Iraque", garantiu o secretário da Defesa dos EUA, Mark Esper, citado pela AFP. Já à Sky News um comandante norte-americano disse que os EUA estão a reduzir o número de tropas por "razões de segurança" mas que não vão sair do país. 

Foi então preciso que o chefe do estado-maior general das forças armadas norte-americanas, Mark Milley, viesse esclarecer o que se tinha passado. A carta é "genuína", mas é um rascunho e "não devia ter sido enviada". "Foi um erro de McKenzie", comandante do comando central dos EUA, disse Milley, citado pela AFP

Por estes dias, o parlamento iraquiano aprovou uma resolução em que pede ao governo para rasgar o acordo com os EUA, estabelecido em 2016, no qual Washington se compromete a ajudar na luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico e que justifica a presença de cerca de 5.200 militares norte-americanos no território iraquiano. Segundo o ministro da Defesa português, João Gomes Cravinho, os 34 militares lusos integrados na coligação internacional, que junta mais de 70 países, dos quais cerca de 40 com tropas no terreno, estão afetos em exclusivo ao treino e formação das forças iraquianas. Na missão da NATO, iniciada em 2018 e também de formação e treino, está, desde dezembro passado, uma major portuguesa, colocada igualmente na base de Besmayah.

Esta decisão de Bagdad surgiu num momento de tensão entre os EUA e o Irão que tem como outro cenário o Iraque. Na passada sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou um ataque aéreo para matar o general Qasem Soleimani, comandante da força de elite iraniana Al-Quds.

O assassinato aconteceu junto ao aeroporto internacional de Bagdad. No mesmo ataque morreu também o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi], além de outras oito pessoas.

A iniciativa do presidente dos EUA ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e apenas terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.

O líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, prometeu vingar a morte de Soleimani e o Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano disse que a vingança ocorrerá "no lugar e na hora certos".  Trump já ameaçou o Irão com "enormes represálias" caso ocorram ataques iranianos contra instalações norte-americanas no Médio Oriente.

Tanto para os seus apoiantes, como para os seus críticos, Qassem Soleimani, que desempenhou um papel importante no combate aos 'jihadistas', era encarado como o homem-chave da influência iraniana no Médio Oriente: reforçou o peso diplomático de Teerão, nomeadamente no Iraque e na Síria, dois países onde os Estados Unidos estão envolvidos militarmente.

Com Lusa

(notícia atualizada às 22h22 com as declarações de Mark Milley) 

   

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