Conjuntura  "Crescimento de 2017 teve fraca qualidade" e "não se deve deitar foguetes"

"Crescimento de 2017 teve fraca qualidade" e "não se deve deitar foguetes"

"O crescimento de 2017 teve fraca qualidade, estando associado a uma queda da produtividade, o oposto do que deveria estar a acontecer”, refere o Fórum Competitividade.
 "Crescimento de 2017 teve fraca qualidade" e "não se deve deitar foguetes"
Miguel Baltazar
Nuno Carregueiro 02 de março de 2018 às 12:10

O desempenho da economia portuguesa em 2017, com o PIB a crescer ao ritmo mais forte em 17 anos, deve ser visto com cautela e "não se deve deitar foguetes", diz o Fórum para a Competitividade na nota de conjuntura de Fevereiro publicada esta sexta-feira, 2 de Março.

  

São várias as razões apontadas pelo Fórum para justificar esta visão pessimista da economia nacional. Desde logo assinala que "o crescimento de 2017 teve fraca qualidade, estando associado a uma queda da produtividade, o oposto do que deveria estar a acontecer".

 

Além disso, realça que "2017 foi também o melhor ano da economia mundial dos últimos 10 anos" e "o valor de 2017 foi empolado pelo péssimo desempenho do primeiro semestre de 2016".

 

A entidade presidida por Ferraz da Costa (na foto) acrescenta que "2017 não é o início de um novo período de prosperidade, já que a generalidade das instituições (FMI, Comissão Europeia, OCDE, Banco de

Portugal, etc.) aponta para uma desaceleração sucessiva da economia", sendo que "não há qualquer sinal de que o potencial de crescimento da economia tenha subido, devendo manter-se em níveis baixíssimos, em torno de 1,5%".

É verdade que este é o maior crescimento dos últimos 17 anos, mas não se deve
deitar foguetes, por várias razões
Fórum para a Competitividade

No que diz respeito ao emprego, o Fórum assinala que o forte crescimento "é motivo de regozijo", mas o facto de estar a aumentar a um ritmo inferior ao PIB, "é motivo de preocupação, porque significa uma diminuição da produtividade média, o inverso do que se deveria estar a passar".

 

"Pior ainda, o diferencial entre ambos está a alargar-se, ou seja, a produtividade está agora a cair mais", diz o Fórum, assinalando que "com o emprego a subir 3,2% (no 4º trimestre), o PIB deveria estar a subir a 4,5% e não a 2,4%".

 

Também nas contas externas o Fórum não vê motivos para optimismo. "Continuamos a alertar para o facto de o equilíbrio das contas externas estar a acontecer por uma má razão: estamos a investir muito pouco, desde 2012 que o investimento não compensa o desgaste do material (amortização) pelo que a quantidade de capital por trabalhador está em queda, o que constitui um claro obstáculo ao crescimento da produtividade", refere.

 

O saldo das balanças corrente e de capital fixou-se em 2.699 milhões de euros (1,4% do PIB), menos 280 milhões de euros do que no ano anterior.

 

Os motivos porque não se devem deitar foguetes com o crescimento do PIB em 2017, segundo o Fórum para a Competitividade:

- 2017 foi também o melhor ano da economia mundial dos últimos 10 anos; o facto de no caso português ser o melhor dos últimos 17 não tem a ver com ele ter sido especialmente bom, mas porque já antes da crise a economia nacional estava estagnada;

 

- o valor de 2017 foi empolado pelo péssimo desempenho do 1º semestre de 2016, quando os investidores se retraíram em consequência da reversão de contratos pelo novo governo;

 

- Em 2017, repetiu-se o que vinha acontecendo desde 2012, um nível insuficiente de investimento, que nem chega para compensar o desgaste de material;

 

- O crescimento de 2017 teve fraca qualidade, estando associado a uma queda da produtividade, o oposto do que deveria estar a acontecer; 2017 não é o início de um novo período de prosperidade, já que a generalidade das instituições (FMI, Comissão Europeia, OCDE, Banco de Portugal, etc.) aponta para uma desaceleração sucessiva da economia;

 

- não há qualquer sinal de que o potencial de crescimento da economia tenha subido, devendo manter-se em níveis baixíssimos, em torno de 1,5%. Um sinal de subida de potencial de crescimento seria um acelerar do crescimento da produtividade, enquanto o que se passa é o oposto.

 




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mais votado Anónimo 02.03.2018

Fúncios, trolhas e garçons. Continuem, comunas, que vão longe.

comentários mais recentes
Anónimo 24.03.2018

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anonimo 03.03.2018

Este senhor disse numa entrevista que os portugueses não gostam de trabalhar.Deve falar por ele, porque trabalhar foi coisa que nunca fez.Também que deveria haver rejuvenescimento no setor produtivo.Porque não se afasta? Já tem mais de 70.Esquecia-me que não faz parte da lista, pois nunca trabalhou

Alentejano 03.03.2018

As licenças (apesar do perigo de corruptibilidade) ajudariam a controlar os fluxos de pessoas e obrigarias os Hotéis e resorts a definirem-se, vejam as situações de Olhos de agua ou dos Salgados nada existe à volta pois todos são TI bastava 1 licença geográfica e somente 1 seria TI num raio de 10km.

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