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Não é um sprint, mas é uma maratona

As start-ups mobilizaram-se, e a indústria portuguesa adaptou-se para ajudar a melhorar as condições de combate à pandemia e, com os profissionais de saúde, dar uma resposta comunitária ao vírus.

Filipe S. Fernandes 15 de Abril de 2020 às 12:30
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O Tech4Covid começou no grupo de whatsapp que reúne fundadores de start-ups portuguesas que, quando se iniciou a fase de isolamento social, discutia como é que a tecnologia, e como é que recursos das cerca de 50 a 60 empresas podiam ser colocados ao serviço da sociedade.

 

Nessa conversa de sábado de manhã surgiram logo quatro ou cinco projetos e, no próprio dia, se começaram a estruturar. Criaram um canal de comunicação e no segundo dia agrupavam já 600 pessoas e hoje são mais de cinco mil voluntários. "Passamos em quatro semanas de uma start-up para um corporation", diz Felipe Ávila da Costa, Felipe Ávila co-founder e CEO da Infraspeak e porta-voz deste movimento.

 

"O grupo começou pela saúde e para as questões sanitárias mas tem estado a evoluir para questões de educação e de economia", refere Felipe Ávila da Costa, porque "não é sprint como pensávamos, mas uma maratona".

 

Óculos e emprego

Miguel Pina Martins, CEO, Science4you explicou que aderiu a este movimento para ajudar e contribuir para que a crise passe um pouco mais depressa e que o número de infetados seja o menor possível. "A science4you já produzia cerca de 2 milhões de óculos de proteção em Portugal, pois o molde é produzido em Leiria, e em vez de os colocar nos brinquedos, até porque não se estão a vender, acabamos a produção, e começamos a coloca-los no SNS, Câmaras Municipais, bombeiros, lares de idosos".

 

Por outro lado, é fundamental garantir dentro do possível a continuidade da empresa "e que os postos de trabalho são mantidos, porque esta crise ainda só agora começou e vamos sofrer muito porque vai ser muito duro".

 

A indústria portuguesa mobilizou-se para o combate ao Covid-19, como reconhece João Correia Neves, secretário de Estado da Economia. Referiu-se às iniciativas nas principais áreas críticas como nos ventiladores, para além das aquisições normais do Estado concretiza ao nível dos mercados internacionais, houve "doações muito relevantes que vão acrescentar à capacidade atual mas também para o futuro".

 

Existem ainda três iniciativas a serem concretizadas como o ventilador invasivo, centrado em profissionais de saúde com capacidade de engenharia do CEIIA, "com capacidades sofisticadas que permite responder a situações mais agudas que resultam desta pandemia. Depois temos duas outras iniciativas de produção de ventiladores não invasivos a partir do INEGI e do INESC-TEC, com suporte de profissionais de saúde, e outro dos Politécnicos de Leiria e Viseu", sublinhou João Correia Neves.

 

Viseiras e bancários

Fez referência ao movimento muito diversificado de produção de viseiras, "tanto viseira numa lógica de proteção individual mas também de estruturas de proteção para camas de hospitais criando um ambiente de proteção para os profissionais de saúde em contacto direto com pessoas que têm Covid-19".

 

Os bancários atendem todos os dias milhares de clientes para os ajudar nestas circunstâncias e fazem-no com espírito de missão e enfrentando os riscos inerentes ao atual contexto sanitário, referiu Miguel Belo de Carvalho, administrador do Santander. Sublinhou que "o pessoal de saúde está na linha da frente no combate a esta crise sanitária e de saúde pública", mas as iniciativas da sociedade civil foram relevantes, para, "no seu todo, dar uma resposta comunitária de grande qualidade".

 

O apoio à sociedade por parte do Santander passou também por donativos com o objetivo de responder às necessidades dos hospitais, ajudando na aquisição de ventiladores, de sistemas de análise e também de equipamentos de proteção individual. "Assumimos que a nossa missão como banco é ajudar todos os nossos clientes, pessoas e empresas, com as melhores soluções que lhes permitam a ultrapassar ou a mitigar os efeitos da inevitável crise económica que vamos enfrentar", sublinhou Miguel Belo de Carvalho, administrador do Santander.

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