Economia "Não há nenhuma criança que inicie o dia com fome" nas escolas portuguesas

"Não há nenhuma criança que inicie o dia com fome" nas escolas portuguesas

Secretário de Estado do Ensino Básico garantiu esta manhã que todas as crianças com carências alimentares estão a ser acompanhadas pelas escolas. O Bloco de Esquerda tem uma proposta para facultar o pequeno-almoço a todos os alunos, de forma gratuita.
Bruno Simões 26 de novembro de 2012 às 13:38
Interpelado pela deputada bloquista Ana Drago, que sublinhava a necessidade de "não haver nenhuma criança com fome" nas escolas, o secretário de Estado João Grancho foi claro: "Nas nossas escolas não há nenhuma criança que inicie o dia com fome". "A verdade é que está lançado um programa que está a responder às necessidades das crianças, mas responde àquelas que efectivamente precisam", sustentou.

A proposta do Bloco de Esquerda, que fornece "de forma diária e gratuita" o pequeno-almoço às "crianças e jovens que frequentam a educação pré-escolar e a escolaridade obrigatória" foi criticada pelo governante. "A generalização que propõe implica não ser solidário. O objectivo do programa é atender às crianças que precisam", resumiu. Para isso, "todas as crianças e famílias que sejam sinalizas têm o seu acompanhamento", e "os directores das escolas são a primeira pessoa a enfrentar o problema".

Na resposta, a deputada acusou Grancho de acabar de "desmentir o secretário de Estado da Administração Escolar, que diz que há 5.400 crianças sinalizadas que ainda não estão a ser apoiadas". Grancho explicou as declarações do colega de Governo: "O que referiu foi que 50% dessas crianças estavam a ser atendidas directamente por essas escolas e o resto por outras vias".

Ana Drago utilizou o exemplo do aluno do 11º ano que desmaiou na escola, na semana passada, por ter fome. "Ninguém mais pode desmaiar de fome nas escolas portuguesas", alertou.

O secretário de Estado João Grancho sublinhou que é um caso excepcional. "Pode ocorrer um caso desta natureza, mas ele será o sinal de que temos de actuar como estamos a actuar", realçou. O deputado do PSD Emídio Guerreiro acusou a proposta do Bloco de ser "uma vergonha". "É uma medida demagógica em torno de um caso isolado que apareceu nos jornais", criticou.

Segurança Social acompanha famílias de crianças com fome


O secretário de Estado da Segurança Social, Marco António Costa, também interveio no debate sobre a fome nas escolas, para dar nota de que a Segurança Social quer atacar o problema nas famílias dos alunos. Na semana passada, Mota Soares "referiu que a questão da existência de crianças com problemas alimentares não se confinava à escola, devia-se resolver o problema das famílias".

Por isso, "o que estamos a fazer é solicitar à CONFAP [Confederação Nacional das Associações de Pais] e ao Ministério da Educação [e Ciência] que, sempre que seja detectada uma circunstância de carência desse nível, que isso seja comunicado à rede social para que a Segurança Social consiga debelar o problema no âmbito da própria família".



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