Orçamento do Estado  Costa garante que subida do ISP não vai aumentar custos dos transportes. Não vai?

Costa garante que subida do ISP não vai aumentar custos dos transportes. Não vai?

O primeiro-ministro decidiu explicar o Orçamento do Estado (OE) através de vídeos no Youtube partilhados nas redes sociais Twitter e Facebook. O Negócios seleccionou algumas das afirmações de António Costa e confrontou os agentes económicos com o que prevê a proposta de OE.
 Costa garante que subida do ISP não vai aumentar custos dos transportes. Não vai?
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As empresas de mercadorias antecipam impactos do aumento do ISP, podendo os custos subir até um milhão. Para as transportadoras de passageiros, a majoração nunca irá compensar o acréscimo dos custos com combustível.


Frase:
"[As empresas] não têm de repercutir nem no preço do bilhete, nem no custo do transporte das mercadorias este aumento que vão ter. (…) Significa que todas as famílias que usam o transporte público não serão penalizadas por este aumento e as de mercadorias para exportar também não vão ter nenhuma penalização".


As empresas de transporte não acreditam que o aumento do imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP) possa ser neutralizado com a majoração da dedução dos custos com os combustíveis. Antecipam uma subida das despesas, sendo que nem todas podem subir preços. 

 

No caso dos transportes de mercadorias, Gustavo Paulo Duarte, presidente da ANTRAM, diz que se as medidas "ficarem tal como estão" irão ter impacto para as empresas.

 

Ao Negócios, o responsável salientou que a medida de majoração destes custos no IRC é "nula" para as transportadoras, que podem acabar por ter aumentos de custos entre 50 mil e um milhão de euros, dependendo do tamanho das sociedades.

 

"Antes de subirmos os preços vamos ter movimentações", alerta o presidente da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias, admitindo que isto "pode levar a protestos" das empresas. Recorde-se que as transportadoras de mercadorias protagonizaram protestos violentos que paralisaram o país, em 2008.

 

Nos últimos vídeos para explicar o OE, o primeiro-ministro não vê razão para que as empresas de transportes repercutam nos clientes o aumento do ISP, já que terão majoração acrescida sobre os custos com combustíveis. Diz ainda que esse não terá impacto no bolso das famílias que usem transportes públicos nem nas contas das empresas transportadoras.

 

Se nas mercadorias, as empresas têm a opção de subir os fretes, no caso dos transportes públicos de passageiros estão impedidas de mexer dos preços, sendo que este ano o Governo decidiu inclusivamente não actualizar tarifas.

 

Ao Negócios, Luís Cabaço Martins, presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (Antrop) considerou a medida do Governo muito limitada ao "só aproveitar às empresas que pagam IRC, de desta forma conseguem pagar um pouco menos".

 

Pelas suas contas, o efeito da majoração "nunca chegará para compensar o acréscimo de custos com combustível".

 

Para a Antrop, as empresas de transporte públicos de passageiros, nos quilómetros de serviço público que prestam, deviam ter uma isenção desses seis cêntimos de aumento do ISP. Porque caso contrário "estão em desvantagem porque não podem mexer nos preços".

 

A sugestão da associação envolve apenas aos quilómetros de serviço público, e não aos alugueres ou expressos, e, segundo Cabaço Martins, poderia ser facilmente posta em prática.  

Também  Carlos Ramos, presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT), garante que a subida sobre o preço dos combustíveis terá um "efeito negativo" sobre a rentabilidade das empresas do sector. Até porque não haverá subida dos preços, que são definidos pelo Governo.

 

Ao Negócios, o responsável explicou que a FPT se reuniu na semana passada com o secretário de Estado do Ambiente, José Mendes, que prometeu aos taxistas uma "majoração de 120%" nos custos associados com o gasóleo.




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