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Schäuble diz que referendo na Grécia sobre o euro pode ser uma boa ideia

O ministro grego das Finanças pediu para reunir-se com Wolfgang Schäuble antes da reunião desta tarde do Eurogrupo. Varoufakis não espera um acordo hoje mas sim "nos próximos dias". Amanhã, Atenas tem de pagar mais 750 milhões ao FMI.

5 de Fevereiro – Schäuble após encontro com Varoufakis. “Concordámos em discordar. O lugar da Grécia é no euro. Respeitamos o mandato dado pelo povo grego, mas o respeito pela democracia tem dois sentidos”.
Reuters
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 11 de Maio de 2015 às 13:45
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O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, mostrou-se nesta segunda-feira, 11 de Maio, favorável à possibilidade, crescentemente assumida em Atenas, de o Governo grego organizar um referendo sobre o euro.

"Se a Grécia quiser fazer um referendo, poderá ser útil", respondeu aos jornalistas à chegada à reunião do Eurogrupo, que decorre esta tarde em Bruxelas. O ministro disse que a Alemanha e os outros países da Zona Euro "querem ajudar a Grécia", mas a Grécia precisa "de fazer a sua parte". Nesse contexto, um referendo talvez fosse esclarecedor. "Poderá ser acertado perguntar ao povo grego para que decidam se estão dispostos a aceitar o que é necessário [para permanecer no euro] ou se querem uma alternativa".

 

No final de 2011, o então primeiro-ministro grego George Papandreou, sugeriu um referendo sobre o pacote de medidas de austeridade que acompanhou o segundo resgate, tendo a sua intenção sido fortemente contestada pelos parceiros europeus, segundo os quais a consulta teria de incidir sobre a permanência da Grécia no euro e não sobre as condições impostas pela comunidade internacional para continuar a conceder empréstimos ao país. 

 

"Um referendo é uma decisão que cabe ao governo grego, que é soberano. A única coisa que temos de ter em conta é que um referendo consome tempo e temos de ver qual será a pergunta", comentou o ministro espanhol das Finanças, Luis de Guindos. "Nós queremos ser construtivos, mas dentro das regras", acrescentou.

 

"Se [referendos] são necessários e úteis é uma decisão nacional", afirmou, por seu turno, Jeroen Dijsselbloem, ministro holandês das Finanças e presidente do Eurogrupo. Sobre a reunião desta tarde, o responsável disse muito claramente que não

"não há decisões sobre a mesa". "O que podemos hoje fazer é ouvir as instituições [FMI, Comissão e BCE], tomar nota dos progressos e de quais são as expectativas para os próximos dias".

 

O ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, pediu para reunir-se com o ministro alemão Wolfgang Schäuble antes da reunião desta tarde. À partida para Bruxelas, o responsável helénico mostrou-se menos optimista sobre os resultados do encontro de hoje, antecipando que uma decisão positiva que permita à Grécia receber novas transferências da troika possa demorar mais alguns dias. Amanhã, Atenas tem de pagar mais 750 milhões de euros ao FMI e garante que o fará a tempo e horas. Mas dada a oposição dos presidentes de câmara à transferência de mais fundos para os cofres centrais, admite-se que o Governo fique em breve sem meios para pagar salários, pensões e novas prestações devidas aos credores.

 

"Faremos o possível para obter hoje uma decisão que nos permita um alívio em termos de liquidez", mas "acho que a solução vai surgir nos próximos dias, não necessariamente hoje", disse esta manhã Varoufakis à rádio grega Sto Kokkino, segundo noticia o jornal Etakimerini. "O governo grego está a batalhar numa luta negocial muito dura para alcançar um acordo que permita não apenas a libertação de uma nova transferência mas também uma alteração substantiva ao contexto de crise", acrescentou o governante, a quem o primeiro-ministro Alexis Tsipras retirou recentemente a coordenação directa das negociações com os parceiros europeus e FMI, após três meses de impasse e muita confrontação.

 

O secretariado político do Syriza reuniu-se neste fim-de-semana, numa altura em que são cada vez mais os deputados e membros da coligação da esquerda radical que defendem a necessidade de "um qualquer acordo" ser referendado pelos gregos. Segundo a imprensa grega, o Governo está disposto a avançar com as privatizações e aumentar impostos, designadamente a taxa intermédia do IVA de 13% para 16%, mas há menos consenso sobre como tornar o sistema pensionista sustentável, sendo essa uma das exigências centrais da troika para transferir a última fatia de 7,2 mil milhões de euros do actual resgate.

 

 

 

 

 

(Notícia actualizada às 14h20)

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