Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

A seis meses das eleições, Portugal está entre o melhor e o pior de várias décadas

Na visita da equipa das Finanças ao Parlamento, PSD e CDS valorizaram o crescimento e défice de 2014; PS, PCP e BE sublinham o aumento da dívida e a situação esclerosada da economia, do investimento e emprego. A sessão ficou marcada por uma guerra de números e datas sobre recordes positivos e negativos da economia portuguesa, e um coro de pedidos de demissão do secretário de Estado Paulo Núncio.

Miguel Baltazar/Negócios
Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 27 de Março de 2015 às 18:48
  • Assine já 1€/1 mês
  • 10
  • ...

Portugal conseguiu o melhor resultado orçamental desde 1995 e já voltou a crescer, sustenta a ministra das Finanças. O PIB recuou 15 anos e o investimento voltou aos níveis de 1984 e bastou um pequeno crescimento para o excedente externo diminuir, provando a insustentabilidade do ajustamento, respondeu o deputado socialista, João Galamba. Uma guerra de números e datas que espelha bem as interpretações opostas que Governo e oposição fazem do actual momento económico, a pouco mais de seis meses das eleições.

 

Na visita à Comissão de Orçamento e Finanças e Administração Pública Maria Luís Albuquerque começou por sublinhar que o défice orçamental de 2014 (4,5% do PIB, ou 3,4% quando ajustamento a medidas extraordinárias) ficou três décimas abaixo da meta do Governo – "reforçando a confiança do Governo no cumprimento de um défice de 2,7% do PIB em 2015" –  e que tal se traduziu no segundo ano com excedente primário (isto é o saldo orçamental sem juros), atirando que "temos de recuar até 1995 para encontrar um valor semelhante". Acrescentou ainda que no ano passado a economia voltou a crescer, o emprego também, e que tanto a Comissão Europeia, como o Banco de Portugal confirmar um acelerar da recuperação este ano.

 

A oposição não se impressionou, com as várias bancadas a lembrarem a dívida, os impostos e o desemprego elevado. Os socialistas aliás, levavam também alguns números para o debate, assentes na revisão em baixa do PIB e do investimento anunciado esta semana pelo INE para os anos de 2012, 2013 e 2014. João Galamba, do PS, atirou que com os novos números, "o PIB não recuou 10 anos, recuou 15", e "o investimento que já tinha recuado até finais dos anos 80, ficou em 2014 ao nível de 1984 – chegámos a níveis pré-europeus, antes de fundos comunitários", atirou, acrescentando ainda que, a revisão em baixa roubou mais ao PIB que os 0,9% de crescimento trouxeram no ano passado, e justificando a melhor cenário macroeconómico com factores externo: queda do petróleo, dos juros e do euro.

 

O debate prosseguiu com os representantes das bancadas do PSD e CDS, que suportam o Governo, a sublinharem os bons resultados orçamentais do ano passado e melhores perspectivas para este ano. À esquerda PCP e Bloco de Esquerda, questionaram as sucessivas revisões em alta da dívida pública, e a situação frágil da economia, com investimento baixo e desemprego elevado.  A visita da equipa das Finanças ao Parlamento ficou marcada pelo coro de pedidos de demissão de Paulo Núncio, que se ouviu na oposição, devido à polémica em torno da chamada lista VIP de contribuintes

Ver comentários
Saber mais João Galamba Comissão de Orçamento e Finanças e Administração Pública Maria Luis Albuquerque INE revisões retoma
Mais lidas
Outras Notícias