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Sócrates diz que a trajectória do défice foi idêntica em todos os países - verdade?

Verdadeiro ou falso? O Negócios confronta declarações de José Sócrates com factos e números.

Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 28 de Março de 2013 às 12:10
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22h18

 

A trajectória do défice foi idêntica em todos os países. O ponto de partida é que era diferente. 
 

 

A frase pode ter várias interpretações, que fazem dela mais ou menos correcta. Por um lado, é verdade que, entre o início da crise financeira de 2007 e 2010 (ou mesmo 2011), todos os países da União Europeia, à excepção da Hungria, viram o seu défice orçamental crescer. Em média, o défice da Zona Euro cresceu 5,5 pontos percentuais até 2010 e 3,5 pontos até 2011. Outro ponto em que José Sócrates tem razão é na existência de pontos de partida diferentes. De facto, em 2007 o excedente de 5,3% da Finlândia convivia com o défice de 6,5% da Grécia.

 

Onde o ex-primeiro-ministro não tem razão foi ao dizer que “a trajectória foi idêntica”. Na realidade, houve uma grande amplitude de resultados nesse período, com evoluções muito diferentes entre os estados membros. Entre 2007 e 2010, Irlanda e Espanha, por exemplo, viram o seu défice crescer 31 e 11,6 pontos percentuais, respectivamente. Por outro lado, nesses anos pós-crise financeira, Malta e Itália viram o défice crescer “apenas” 1,3 e 2,9 pontos.

 

Na entrevista de ontem, José Sócrates procurou retratar o crescimento do défice português como um fenómeno europeu e não nacional. Também aqui, há duas histórias a contar: o défice português aumentou 6,7 pontos percentuais, passando de 3,1% para 9,8% do PIB. Esse resultado coloca Portugal entre o grupo de países onde o buraco orçamental mais cresceu (só em 4 dos 17 estados do euro o agravamento foi mais significativo). Ainda assim, não se pode dizer que a evolução tenha sido muito diferente da média dos países da moeda única (-5,5 pontos).

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