Economia Académicos terão descoberto erro na fórmula de um estudo que sustenta políticas de austeridade

Académicos terão descoberto erro na fórmula de um estudo que sustenta políticas de austeridade

“Crescimento em tempo de dívida” é um estudo publicado em 2010 por Rogoff e Reinhart que tem sustentado muitas das políticas de austeridade que têm sido implementadas por vários países, nomeadamente o aumento de impostos e a redução da despesa pública.
Académicos terão descoberto erro na fórmula de um estudo que sustenta políticas de austeridade
Inês Balreira 17 de abril de 2013 às 15:22

Em causa estão valores que constam do artigo científico “Crescimento em tempo de dívida”, de Kenneth Rogoff (foto em baixo) e Carmen Reinhart (foto em cima), publicado em 2010 e que defende que países com uma dívida pública superior a 90% do PIB têm um crescimento muito menor do que outros países.

 

Para chegarem a tal conclusão, os dois autores do estudo, que são professores na Universidade de Harvard e nos últimos anos ocuparam altos cargos no Fundo Monetário Internacional, basearam-se em estatísticas de vários países relativas ao período 1946-2009.

 

Contudo, três investigadores da Universidade de Massachusetts descobriram um erro na fórmula que permitiu chegar à conclusão acerca da taxa média de crescimento de países com uma dívida superior a 90% do PIB. Thomas Herndon, Michael Ash e Pobert Pollin descobriram que Rogoff e Reinhart retiraram da amostra cinco países: Austrália, Bélgica, Áustria, Canadá e Dinamarca, refere o “Financial Times” (FT). A não inclusão dos países alterou, de acordo com os académicos de Massachusetts que repetiram o estudo tendo em conta os países então excluídos, o valor médio de crescimento dos países analisados. Estes cresceram em média 2,2% e não contraíram 0,1%, como indicava o estudo.

 

Segundo os três investigadores, citados pelo FT, os “erros de codificação, a exclusão selectiva de dados disponíveis e a ponderação não convencional de estatísticas sumárias que imprecisamente representam a relação entre a dívida pública e o crescimento do PIB” são a base para o erro dos académicos de Harvard.

 

Rogoff e Reinhart, que tiveram conhecimento do suposto erro esta terça-feira, passaram a noite a rever os resultados do estudo e a escrever uma reacção inicial à crítica dos académicos de Massachusetts. De acordo com os dois investigadores, “o erro é explicado pelo facto de na altura do estudo ainda haver lacunas nos dados sobre a dívida pública”. “A nossa abordagem foi seguida em muitas outras investigações, que também não tiveram em conta o peso de um pequeno número de países que têm as suas próprias peculiaridades”, afirmam Rogoff e Reinhart em comunicado.

 

O erro dos académicos torna-se importante uma vez que o resultado publicado pelos dois investigadores é um dos mais fortes argumentos para o aumento de impostos e corte da despesa pública para limitar a dívida abaixo dos 90% do PIB.

 

A investigação dos dois economistas de Harvard foi posteriormente citada em mais de 500 artigos universitários e mencionada por personalidades como Olli Rehn, comissário europeu para os Assuntos Económicos, o secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner ou pelo candidato republicano à vice-presidência dos Estados Unidos, Paul Ryan.

 

O Nobel da Economia, Paul Krugman, classificou já a reacção de Rogoff e Reinhart como “muito má”, apontando que os dois economistas “fugiram à critica”.

 

(notícia corrigida às 18h40, no que diz respeito à variação do PIB dos países analisados no estudo)




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