Empresas Adega de Vila Real dá de "beber à dor" dos colossais anos 90

Adega de Vila Real dá de "beber à dor" dos colossais anos 90

Um projecto sobredimensionado para ir buscar mais fundos comunitários quase atirou ao tapete a cooperativa transmontana. Duas décadas depois tem o melhor vinho branco do mundo e muitos viticultores em fila de espera.
Adega de Vila Real dá de "beber à dor" dos colossais anos 90
Paulo Duarte/Negócios
António Larguesa 30 de maio de 2013 às 00:01

Esta é uma história que começou como tantas outras no início dos gordos anos 1990. A Adega Cooperativa de Vila Real meteu-se num projecto de investimento, concluído em 1993, de valor cinco vezes superior à facturação anual, que rondava um milhão de euros. "Para ir buscar fundos comunitários, foi sobredimensionado face ao que era a dimensão da adega na altura. Não havia actividade suficiente para pagar esse investimento colossal", recordou ao Negócios o director de marketing, Nuno Borges.

No ano seguinte à inauguração, entrava em falência técnica. Batia no fundo. Duas décadas depois, o vinho branco que produz foi eleito em 2009 o melhor do mundo no prestigiado "Concurso Mundial de Bruxelas" e a adega transmontana foi distinguida pela Revista de Vinhos como a melhor cooperativa de 2012.

Sem poder apenas "dar de beber à dor", como dizia a Mariquinhas cantada por Amália Rodrigues, a recuperação foi lenta e dolorosa. E tem um rosto: Jaime Borges, que entrou em Outubro de 1994 para ficar um mês e já ocupa a presidência há 18 anos. O filho, que acompanhou o processo desde o início, recordou o "arrojo e coragem" para operar este resgate em três fases. Sem dinheiro para pagar à banca, sem uma posição de mercado alargada ou consolidada, sem equipa de enologia, sem visão de mercado e com praticamente todo o património penhorado, adequar a estrutura financeira às possibilidades de cumprimento foi a primeira coisa a fazer. E um caso de sucesso não se faz sem "uma certa sorte": ao alargar a rede de balcões a todo o País, instalando-se em Vila Real, a banca privada estava "mais predisposta ao risco" e ajudou "a desembrulhar este nó".

Com as contas "minimamente equilibradas", continuou Nuno Borges, 39 anos, era preciso captar sócios que fornecessem uvas com maior qualidade. O pagamento aos associados, que era antes "a última prioridade", passou a ser feito no próprio ano da colheita. A cooperativa – não tem como objectivo o lucro mas pagar o melhor possível a produção que é ali entregue – passou a equipar-se aos agentes privados da região do Douro. Em média, a adega paga a 99 dias aos actuais 1.231 viticultores. As solicitações são cada vez mais, dado que outras cooperativas estão a fechar ou a deixar de aceitar e pagar as uvas.

A primeira década foi para arrumar a casa. Em 2004 começou a "viragem para o exterior", com a nova gama de vinhos do Porto e Douro. Três anos depois criaram a equipa de enologia liderada por Rui Roboredo Madeira. "Tentámos fazer esta união virtuosa de uma empresa com contas bastante sólidas, estratégia de marketing e uma enologia de referência. Foi isso que permitiu nos últimos dois anos, no meio desta crise, termos os melhores resultados da nossa história", resumiu o director de marketing da adega, que subiu a facturação de 6,1 para 7,2 milhões de euros em 2012.

 
O momento

Em Outubro de 1994, Jaime Borges, que tinha sido o responsável pela delegação da Casa do Douro em Vila Real, assumiu a presidência da Adega Cooperativa, que estava em falência técnica e com as contas bloqueadas. Era para ficar um mês; já lá vão 18 anos. O filho, Nuno Borges, que acompanhou o processo do início e hoje ocupa a direcção de marketing, recordou o resgate "arrojado", feito em três fases, que recuperou a solvência e a credibilidade da instituição.

 


 




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