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Adriano Moreira: “Governo vai perdendo a legitimidade”

O desconforto, a desigualdade e a pobreza estão a progredir, conduzindo a sociedade para uma “situação muito perigosa”, diz Adriano Moreira, que numa entrevista à Rádio Renascença considera que o Governo tem vindo a perder a sua legitimidade.

Miguel Baltazar
Negócios 21 de Novembro de 2013 às 11:15

A legitimidade do Governo tem sido bastante afectada. Pelo distanciamento entre aquilo que foi o programa do Executivo e a prática, e pelas divergências entre as medidas adoptadas, os objectivos e os resultados. O diagnóstico é de Adriano Moreira que se mostra muito preocupado com o futuro e com o aumento do desconforto, a desigualdade e a pobreza em Portugal.

 

Numa entrevista publicada quarta-feira pela "Rádio Renascença", Adriano Moreira diz que Portugal tem de observar as obrigações que assumiu com a troika, mas também de tem de cumprir com outras convenções internacionais nomeadamente em matéria laboral, como as com as Nações Unidas e com a Nato. Caso contrário, o conceito estratégico nacional - que, na realidade não existe desde 1974 - fica resumido ao Orçamento.

 

A margem de manobra pode não ser muita mas, recorda, “os estadistas não têm que ficar nem submetidos, nem pressionados por opiniões dos técnicos: aproveitam as opiniões dos técnicos e exercem a sua responsabilidade e capacidade de estadistas”.

 

A mudança de paradigma terá, contudo, de fazer-se a nível supra-nacional, no

Os estadistas não têm que ficar nem submetidos, nem pressionados por opiniões dos técnicos: aproveitam as opiniões dos técnicos e exercem a sua responsabilidade e capacidade de estadistas.
 
Adriano Moreira

Conselho Europeu e, numa outra sede, nunca experimentada, como o Conselho Económico e Social das Nações Unidas. “E é aí que as coisas têm que ser discutidas”, considera.

 

Vítor Gaspar teve “acto de integridade”

 

A carta deixada por Vitor Gaspar admitindo que a receita da austeridade não estava a surtir efeito é, aos olhos do antigo político, “um acto de integridade académica”, uma vez que os actos de contrição devem fazer parte da “ética universitária e fazer parte da ética de governantes”. É por isso de lamentar que o documento e o seu conteúdo tenham desaparecido da discussão pública, considera.

 

Chegado aos 91 anos, com um longo percurso de vida, Adriano Moreira diz que esta foi a pior crise que viu o País atravessar e confessa-se preocupado com o futuro dos seus filhos e netos. “Há um relatório das Nações Unida que dizia esta coisa: o mundo está confrontado com duas ameaças: as armas de destruição maciça e a miséria. Estamos a chegar lá”, adverte.

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