Política Alberto João Jardim apresentou demissão do cargo de presidente do Governo da Madeira

Alberto João Jardim apresentou demissão do cargo de presidente do Governo da Madeira

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, apresentou formalmente o pedido de demissão do cargo que ocupa desde Março de 1978 ao representante da República.
Alberto João Jardim apresentou demissão do cargo de presidente do Governo da Madeira
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 12 de janeiro de 2015 às 12:09

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, apresentou hoje formalmente o pedido de demissão do cargo que ocupa desde Março de 1978 ao representante da República.

 

Esta decisão de Jardim surge depois da eleição do novo líder do PSD/Madeira, Miguel Albuquerque, numa segunda volta de umas eleições que se realizaram a 29 de Dezembro, que foi confirmado no congresso regional do partido no passado fim-de-semana.

 

O governante defendia que o seu sucessor na liderança do partido o substituísse também no cargo de chefe do executivo madeirense até ao final da legislatura, em Outubro, mas Miguel Albuquerque exige a realização de eleições antecipadas para ter "uma base de legitimidade democrática" para governar.

 

"Foi difícil, mas não foi pesado, porque o que se faz por gosto não é pesado", afirmou Jardim aos jornalistas depois de reunir com o representante da República, o juiz conselheiro Ireneu Barreto, acrescentando que esta "não é uma questão de estar aliviado", uma vez que ainda tem "responsabilidades governativas até Abril".

 

"Eu fiz estes anos todos com muito gosto, gostava do que estava a fazer", declarou o governante insular há mais 36 anos.

 

Alberto João jardim recordou que o seu projecto era "entregar o governo agora, já" ao novo líder eleito do PSD/Madeira, sem eleições antecipadas.

 

"O guião foi cumprido todo, menos esta parte de haver eleições antecipadas", sublinhou Jardim, argumentando que "se o guião tivesse sido cumprido, hoje entrava de férias".

 

Mencionou que a partir de hoje tem "poder de gestão, o que significa fazer tudo e mais alguma coisa, menos aquilo que poder ser adiado".

 

O líder madeirense apontou que "se o governo entender que uma coisa não deve ser mais adiada, pode, até uma obra que é inadiável, pode abrir um concurso público", referindo que ainda tem algumas obras para inaugurar.

 

Jardim afirmou que não lhe "passa pela cabeça que o PSD/M possa ganhar sem maioria absoluta".

 

Questionado por ter sido declarado domingo, no XV congresso regional do PSD/M, como o 1º presidente honorário do partido na região, Jardim respondeu: "Isso foi um gesto que agradeço a todos os militantes do partido", desvalorizando o facto de ter estado presente nesse momento.

 

"Vou procurar estar o mais ausente possível nestes primeiros tempos de actos do PSD/M", disse, considerando ser "incómodo" para os novos responsável "terem à volta" uma figura que foi tutelar no partido.

 

Segundo Jardim, "isto vai-se fazer com a mesma delicadeza com que tudo decorreu até agora".

 

Jardim admitiu ainda fazer campanha eleitoral ao lado do novo líder social-democrata madeirense, Miguel Albuquerque, sustentando que está disponível para "fazer tudo o que o partido pedir", embora nessa altura ainda tenha assuntos pendentes a tratar no estrangeiro.

 

O presidente cessante do executivo da Madeira também declarou que Cristiano Ronaldo "tem de ganhar" hoje a Bola de Ouro.

 

"É um bom dia para a Bola de Ouro", vincou, considerando que é "uma coincidência" acontecer no dia em que pediu a demissão e que "seria uma injustiça" se tal não acontecesse.

 

Contudo, opinou que "como o mundo do futebol é feito de coisas sombrias e sinistras, não vão eles prejudicar o rapaz".

 

Jardim aproveitou para apontar que os êxitos desportivos registados nos últimos tempos na Madeira são também resultado de "uma política desportiva que permitiu que pessoas com qualidade, que só os atletas mais distinguidos atingissem os níveis que atingiram"

 

A 03 de Dezembro, numa carta enviada aos seis candidatos à liderança [Miguel Albuquerque, Manuel António Correia, Miguel de Sousa, João Cunha e Silva, Sérgio Marques e Jaime Ramos], o líder cessante informou a sua intenção de pedir a exoneração do cargo de presidente do Governo Regional a 12 de Janeiro, o que concretizou hoje.

 

Esta foi a segunda vez em quase décadas de governação que Alberto João Jardim se demitiu.

 

A 21 de Fevereiro de 2007, o líder madeirense apresentou o seu pedido de demissão do cargo ao então representante da República Monteiro Diniz, protestando pelo facto do Governo da República do PS, chefiado por José Sócrates, lhe ter "mudado as regras a meio do jogo", alterando a Lei das Finanças Regionais, a qual determinou uma redução de 500 milhões de euros nas transferências do Estado para a região.

 

Alberto João Jardim tinha 33 anos quando a 17 de Março de 1978 assumiu a presidência do executivo da Madeira, tendo sido eleito ao longo dos anos sucessivamente, suportado por maiorias absolutas do partido [PSD] que liderou desde a sua fundação.

 

Jardim deixa assim a governação da Madeira depois de ganhar 10 eleições legislativas sempre com maiorias absolutas, deixando uma obra em infra-estruturas que o levar a efectuar ao longo de quase quatro décadas mais de 4.0000 inaugurações, mas que fica marcada por uma dívida pública avaliada em 6,3 mil milhões de euros.

 

Depois de reunir com o representante da República, Jardim deslocou-se à Assembleia Legislativa da Madeira para entregar o mesmo documento pedindo a sua renúncia do cargo ao presidente do parlamento regional, Miguel Mendonça.

 

Agora o representante da República, Ireneu Barreto vai ouvir os representantes dos oito partidos que têm assento no parlamento da Região, transmitindo em seguida a informação recolhida ao Presidente da República.

 

Cavaco Silva vai convocar o Conselho de Estado, ouvir as direcções nacionais dos partidos que estão representados na ALM, após o que dissolve o parlamento da Madeira, convocando eleições antecipadas no prazo máximo de 60 dias.




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