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Alberto João Jardim: "Estou cada vez mais farto de Lisboa"

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, disse este domingo estar "cada vez mais farto de Lisboa", reiterando o desejo de maior autonomia para o arquipélago.

Lusa 30 de Junho de 2013 às 15:42
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"Eu estou cada vez mais farto de Lisboa. Estes 30 anos, em vez de me aproximarem de Lisboa, afastaram-me cada vez mais de Lisboa, porque eu vi muita coisa que eu chamo incompetência, chamo maldade", afirmou Alberto João Jardim.

 

O governante, que discursava na 58.ª edição da Feira Agropecuária do Porto Moniz, repetiu o desejo de "mais autonomia", desafiando os presentes: "Não temos que ter medo de andar para a frente na conquista dos nossos direitos".

 

O chefe do executivo insular reconheceu que ao longo da sua vida política teve "arrelias com Lisboa" e com o seu partido, o PSD: "Obviamente, existir na Madeira quem defendesse os direitos do povo madeirense mesmo contra o seu próprio partido era incómodo para Lisboa".

 

"E todos sabem que, por várias vezes, mesmo dentro do partido, eles lá em Lisboa mexeram-se para ver se se viam livres de mim. Ainda não conseguiram, ainda há muita luta para fazer", avisou.

 

Alberto João Jardim abordou depois a realidade do país que, apesar da situação a que chegou, "não há maneira de Lisboa aprender".

 

"E, pior, a própria União Europeia também tem andado para trás e só faz asneiras que, infelizmente, o Governo de Lisboa [de coligação PSD/CDS-PP] não sabe bater o pé", sustentou.

 

O presidente do Governo Regional apontou, depois, as "loucuras impostas por Lisboa".

 

"No campo da agricultura, são asneiras atrás de asneiras a incomodar o agricultor madeirense", declarou, referindo ainda o Imposto Municipal sobre Imóveis: "(...) Pensam que são tudo prédios no meio de Lisboa e não entendem as diferenças que há em Portugal, desde Trás-os-Montes ao Algarve e, em, especial aqui nas ilhas".

 

Alberto João Jardim comentou igualmente os cortes nas pensões e reformas: "Será que o senhor ministro do CDS da Segurança Social não vê que quem trabalhou a vida inteira tem que ser respeitado e não é no fim da vida que se lhe vai reduzir a pensão e a reforma?".

 

O governante criticou também o aparecimento de "uns senhores de Bruxelas que pensam que a agricultura em toda a União Europeia é igual" e que "os agricultores, com a sua experiência, com a sua sabedoria de dezenas e dezenas de anos, agora têm de fazer cursos".

 

"Ora, os agricultores que temos na Madeira até dão cursos a essa gente de Bruxelas e a esses ministros de Lisboa, porque não sabem nada do que é isto", declarou, prometendo "pôr um certificado nas mãos de cada agricultor".

 

O responsável informou ainda ter preparado instruções para os serviços de Finanças - "estão proibidos de com inspecções e maçadas ir aborrecer as pessoas" - ajudar "a preencher os requisitos que Bruxelas e Lisboa querem".

 

Alberto João Jardim rejeitou ainda a presença da GNR na região: "Não faz sentido se ver nas estradas da Madeira uma coisa que se chama Guarda Republicana, a incomodar quem passa (...). Temos uma boa polícia na Madeira, não precisamos de outras polícias aqui".

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