União Europeia Alemanha anuncia 54 mil milhões para combater emergência climática, mas mantém défice zero

Alemanha anuncia 54 mil milhões para combater emergência climática, mas mantém défice zero

O Governo alemão vai avançar com mais medidas para contrariar as alterações climáticas, anunciou Angela Merkel.
Alemanha anuncia 54 mil milhões para combater emergência climática, mas mantém défice zero
Reuters
Tiago Varzim 20 de setembro de 2019 às 15:54

O Governo alemão de coligação entre a CDU (democratas cristãos) e o SPD (sociais-democratas) acordou esta sexta-feira, 20 de setembro, um pacote climático de 54 mil milhões de euros que será implementado até 2023. O acordo ocorre após uma maratona de 16 horas de reuniões do Executivo e no dia em que começa uma greve estudantil por causa da emergência climática.

O pacote envolve fixar um preço para as emissões de dióxido de carbono nos transportes e fornecer incentivos monetários para tecnologias mais limpas. No entanto, o pacote de 54 mil milhões de euros não significará que o rumo das finanças públicas se altere, ou seja, o défice zero alemão é para continuar uma vez que as medidas envolvem mais despesa, mas também mais receita.

Além de querer contribuir para o combate às alterações climáticas, o objetivo do Governo liderado pela chanceler Angela Merkel é responder à pressão interna onde o partido da oposição, os Verdes, tem crescido nas sondagens e também ter algo para mostrar na cimeira do clima das Nações Unidas na próxima semana. 

Na conferência de imprensa em que fez o anúncio, Angela Merkel disse que a Alemanha tinha aprendido com os desafios que enfrentou para baixar as emissões poluentes nos últimos anos e garantiu que continuará a avaliar o programa para assegurar que o país atinge as metas de redução de dióxido de carbono.

"Nós criámos numerosos incentivos para que as pessoas possam comportar-se de um modo mais responsável a nível ambiental", afirmou Merkel, citada pela Bloomberg, mostrando-se confiante de que é possível atingir as metas a que se propõe.

Enquanto a chanceler falava milhares de manifestantes marchavam em Berlim, Hamburgo, Munique e em cerca de 500 locais na Alemanha sob o movimento "Sextas-feiras para o Futuro". O ministro das Finanças alemão, Olaf Scholz, do S&D, admitiu que as manifestações tinham sido uma "chamada de alerta" para o Executivo.

Mais gastos com mais receita garantem défice zero
Ao mesmo tempo que promete incentivos, o Governo alemão assegura que a regra de ouro das suas finanças públicas continuará. O saldo orçamento mantém-se equilibrado, evitando a necessidade de emitir mais dívida pública, uma vez que o custo dos incentivos será compensado pelo rendimento dos certificados de dióxido de carbono. O preço das emissões de dióxido de carbono vão aumentar de 10 euros a tonelada em 2021 para 35 euros em 2025.

Além dessa medida, o Governo alemão pretende encarecer os carros mais poluentes e implementar incentivos para carros elétricos que custem menos de 40 mil euros, acompanhados da expansão das estações de carregamento. 

Quanto ao transporte aéreo e ferroviário, a Alemanha irá aumentar os impostos cobrados nas viagens de avião e diminuir o preço dos bilhetes de comboio. O operador público da ferrovia, o Deutsche Bahn AG, vai ter mais mil milhões de euros por ano no capital para fortalecer a infraestrutura ferroviária do país. 

No que toca à habitação, o Governo pretende oferecer subsídios e deduções fiscais para instalar novos fornos, janelas e isolamento/aquecimento nas casas alemãs. A partir de 2026, vão ser proibidos os aquecedores a óleo, os quais são muito usados na parte ocidental do território, segundo a Reuters.

A Bloomberg escreve ainda que o plano até 2030 poderá envolver três dígitos de mil milhões de euros. O país prepara-se também para no futuro emitir obrigações verdes (as chamadas "green bonds"). 

Uma sondagem da estação pública indica que 63% dos alemães acham que o clima é mais importante do que o crescimento económico.




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