Política Monetária Alemanha tem reservas em apresentar Jens Weidmann para liderar o BCE

Alemanha tem reservas em apresentar Jens Weidmann para liderar o BCE

Jens Weidmann tem sido apontado como um dos candidato à liderança do BCE, sucedendo ao italiano Mario Draghi. Mas, e de acordo com o FT, Berlim hesita em permitir que o presidente do Bundesbank se candidate à liderança da autoridade monetária do euro.
Alemanha tem reservas em apresentar Jens Weidmann para liderar o BCE
Bloomberg
Ana Laranjeiro 07 de março de 2018 às 11:55

Ainda falta mais de um ano para que o mandato do italiano Mario Draghi chegue ao fim. Mas um dos nomes que tem sido sussurrado para lhe suceder é o do alemão Jens Weidmann (na foto), presidente do banco central da Alemanha (Bundesbank).

Mas, e de acordo com o Financial Times, Berlim tem agora algumas reservas em apresentar o nome de Weidmann para a liderança do Banco Central Europeu (BCE). A Alemanha teme que, para que Paris e Roma aceitem que Weidmann lidere a autoridade monetária do euro, tenham que fazer grandes cedências no que diz respeito à sua visão relativamente à política monetária. "O preço não pode ser muito elevado", disse um responsável alemão ao FT. "A questão é: que benefícios políticos e económicos isso vai trazer para a Alemanha".

E esta posição da principal economia do euro pode ter algum fundamento. A França já deu a entender, através do ministro das Finanças, que não está convencida que uma presidência germânica do BCE esteja garantida. Alguns membros do governo de Emmanuel Macron mostram-se, em privado, inflexíveis quanto à possibilidade de Weidmann subir à presidência do BCE. A questão em cima da mesa é a visão que o alemão tem sobre a política monetária.

"Não vamos dizer que não queremos um presidente alemão do BCE por uma questão de princípio", disse um diplomata francês ao jornal. "A questão é mais onde se posiciona a pessoa em termos de política monetária, se é mais ‘falcão’ ou ‘pomba’ numa altura em que o BCE prevê sair do 'quantitative easing'". Outro diplomata europeu disse que "é impossível que seja Weidmann". "Ele é muito extremista nas suas posições".

De Itália vem a mesma orientação. Responsáveis transalpinos sublinham que não vão apoiar uma política monetária mais agressiva depois de Draghi. Sandro Gozi, secretário de Estado dos Assuntos Europeus do governo italiano cessante, considera que "Draghi realmente inovou em termos de gestão do BCE e provou-o de uma forma positiva, mesmo nos momentos delicados, tendo evitado os erros feitos anteriormente pelo banco e pelos governos". "Descartamos uma liderança ao estilo alemão como a que dominou durante o tempo da crise financeira, mas não é um problema de nacionalidade, é uma questão de política", disse ainda.

Apesar desta aparente oposição da segunda e terceira maior economia do euro, a verdade é que falta ainda algum tempo para que a decisão tenha de ser tomada. Provavelmente, só haverá uma decisão após as eleições europeias, que podem ter lugar em Maio do próximo ano, aponta o FT.

Independentemente de quem vá suceder a Mario Draghi, a vice-presidência do Banco Central Europeu vai ser espanhola nos próximos anos. Em Fevereiro, Luis de Guindos foi escolhido para ocupar o cargo de vice-presidente do BCE, substituindo o português Vitor Constâncio que termina o seu mandato dentro de algumas semanas.

Após a nomeação, o ainda ministro da Economia defendeu que supõe um reconhecimento para a recuperação de prestígio de Espanha na União Europeia. "Supõe um certo reconhecimento. Quando perdemos a representação, em 2012, a situação era muito diferente, a reputação de Espanha era outra. Agora, crescemos, a inflação caiu, o emprego aumentou. Creio que a Espanha, desse ponto de vista, recuperou muito prestígio nos meios comunitários e este é um posto importante. O BCE é a instituição mais importante dentro da união monetária", disse na altura Guindos, referindo-se ao facto de não haver um espanhol no conselho de administração do BCE há seis anos.




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