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Alemanha vai defender continuação da política de austeridade na reunião de Washington

A Alemanha vai defender a continuação da política de austeridade na Europa e rejeitar programas de apoio à conjuntura na conferência anual do FMI, no próximo fim-de-semana em Washington, segundo uma fonte governamental em Berlim.

Lusa 18 de Abril de 2012 às 09:47
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"Não vamos ceder a pressões para implementar programas de apoio à conjuntura, vamos lembrar aos nossos parceiros os compromissos internacionais que assumiram no sentido de reduzir os défices estruturais a metade e estabilizar as dívidas públicas", adiantou a mesma fonte.

Ao contrário do que defendem numerosos especialistas europeus e norte-americanos, por exemplo, o executivo liderado por Angela Merkel não vê necessidade de aumentar a despesa pública na Zona Euro para fomentar o crescimento.

Na apresentação das suas previsões da primavera, na terça-feira, o próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu para o risco de o excesso de austeridade impedir a retoma das economias de alguns países.

Para o Governo alemão, no entanto, não se deve olhar apenas para a Zona Euro e para o seu contributo para o crescimento económico à escala mundial, "é preciso também voltar as atenções para outras regiões do mundo", sublinhou a fonte governamental.

Em declarações publicadas hoje no matutino Frankfurter Allgemeine, o ministro das finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, corroborou esta tese, afirmando que na reunião do FMI vai "dizer, de consciência tranquila, que nem todos os problemas do mundo têm origem na Europa".

A Alemanha espera igualmente que a conferência sirva para aprovar o aumento do fundo de resgate do FMI, através do qual também foi concedido o empréstimo de 78.000 milhões de euros a Portugal, no âmbito da "troika", que inclui ainda a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu.

A fonte governamental alemã lembrou que a Europa contribui, ao todo, com cerca de 800.000 milhões de euros para aquele fundo e espera que haja a mesma disponibilidade a nível internacional.

O FMI tem actualmente entre 270 e 307.000 milhões de euros para acudir a países membros em dificuldades, além de 192.000 milhões de euros cativos, mas necessita, segundo os seus próprios cálculos, de mais 307.000 milhões de euros para fazer face aos compromissos existentes.

Os países da Zona Euro já anunciaram a abertura de uma linha de crédito suplementar de 150.000 milhões de euros, os países escandinavos libertaram 20.000 milhões de euros e o Japão 46.000 milhões de euros.

Ao todo, o FMI reuniu até agora 223.000 milhões de euros (cerca de 290.000 milhões de dólares), mas só conseguirá atingir os 307.000 milhões de euros requeridos com o contributo dos Estados Unidos e dos principais países emergentes.

Estes últimos, porém, têm-se mostrado reticentes nesta matéria, exigindo mais direito de participação nas decisões da instituição em troca do aumento das suas quotas.

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