Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Alfredo Barroso sai do PS depois de “inqualificável chinesice” de António Costa

O fundador socialista anunciou que se desvincula do PS depois das declarações em que António Costa sustenta que o país está hoje numa “situação diferente”. Barroso acusa Costa de “prestar vassalagem" aos chineses e critica "a 'ralé' que tomou conta do 'aparelho' do PS”. Já o líder do PS promete “contextualizar pessoalmente” as suas palavras ao ex-dirigente socialista.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 26 de Fevereiro de 2015 às 13:08
  • Partilhar artigo
  • 79
  • ...

O fundador e militante socialista, Alfredo Barroso, anunciou esta quarta-feira que se desvincula do PS em divergência com declarações de António Costa que designou de "inqualificável chinesice". O secretário-geral socialista disse há poucos dias que Portugal está agora numa "situação diferente" face há quatro anos.

 

Em mensagem divulgada nas redes sociais, o também antigo chefe de gabinete e da Casa Civil durante a presidência de Mário Soares, considerou que Costa desrespeitou as "centenas de milhares de desempregados e cerca de dois milhões de portugueses no limiar da pobreza".

 

Apesar de Barroso ter sido uma das personalidades socialistas a apoiar António Costa ainda antes da realização das primárias socialistas, em mais do que uma ocasião acabou por se mostrar "desiludido" com a liderança do actual secretário-geral. "Já chega", disse aproveitando ainda para lançar farpas contra "a 'ralé' que tomou conta do 'aparelho' do PS [e] é capaz de se atrever a desenvolver contra mim miseráveis campanhas".

 

Na origem do estalar de verniz está um vídeo, datado de 19 de Fevereiro mas só recentemente colocado a circular nas redes sociais pelo eurodeputado do CDS Nuno Melo, em que pode ver-se Costa numa homenagem à comunidade chinesa radicada em Portugal.

 

Num discurso feito no Casino da Póvoa, o ainda autarca lisboeta agradeceu aos chineses que "disseram presente, vieram e deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela em que estava há quatro anos atrás".

 

Na perspectiva de Alfredo Barroso, o líder do PS aceitou "prestar vassalagem à ditadura comunista e neoliberal da República Popular da China", pelo que "a declaração de António Costa é uma vergonha".

 

A decisão de abandonar a militância do partido que ajudou a fundar, e do qual era o militante número 15, foi deixada de forma seca: "enviarei à direcção do PS (hoje tenho vergonha de escrever por extenso Partido Socialista) uma carta muito simples".

 

Provavelmente numa tentativa de controlar os danos causados por uma declaração que se tornou viral em menos de 24 horas, António Costa reagiu esta quinta-feira anunciando que irá tentar explicar pessoalmente aquilo que deveria ser a interpretação ajustada das palavras proferidas na semana passada.

 

Em declarações à agência Lusa, Costa disse ter "muita estima e consideração por Alfredo Barroso", garantindo que respeita "qualquer que seja a sua decisão", apesar de a "lamentar".

 

"Procurarei contextualizar-lhe pessoalmente a minha intervenção para que a possa interpretar correctamente", prometeu António Costa.

 

Já depois de ainda na quarta-feira o deputado socialista Vieira da Silva acusar a maioria de "tentar desviar a atenção dos portugueses da identificação dos problemas sérios que existem no país", classificando o acontecimento de "um fait-divers", esta manhã foi o líder parlamentar Ferro Rodrigues que, citado pela Lusa, lamentou a desfiliação de Alfredo Barroso e "os termos em que ela se processou".

 

Para Ferro Rodrigues, a origem de toda esta polémica deve-se às acções do PSD e do CDS, por levarem a política para "graus baixos" recorrendo à instrumentalização de uma "frase imprecisa" do líder do PS para "a utilizar como arma de arremesso".

 

Desde quarta-feira, têm proliferado pela internet, designadamente pelo Twitter e pelo Facebook, mensagens várias de deputados dos partidos que suportam a actual maioria, em que é saudado o pretenso reconhecimento de António Costa aos méritos da acção governativa do Executivo liderado por Pedro Passos Coelho. Entre as expressões utilizadas, puderam ler-se exemplos como "aleluia" e "mais vale tarde do que nunca".

Ver comentários
Saber mais Alfredo Barroso António Costa PS Vieira da Silva Ferro Rodrigues
Outras Notícias