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Aliados concordam com proposta russa para a Síria e querem levá-la ao Conselho de Segurança

Estados Unidos, França e Reino Unido pretendem que o Conselho de Segurança da ONU aprove uma resolução sobre a Síria, que concilie a proposta apresentada pela Rússia com um calendário que obedeça aos objectivos dos Aliados.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 10 de Setembro de 2013 às 19:31
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Depois de, na passada segunda-feira, Moscovo ter conseguido atenuar a possibilidade de uma intervenção militar americana na Síria, esta terça-feira o consenso sobre esta proposta vai-se alargando. O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, partilhou, hoje de manhã, com os seus congéneres americano e britânico, uma proposta que será hoje levada a discussão no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O objectivo é que seja encontrada, quanto antes, uma resolução que formalize institucionalmente a ideia ontem defendida pela Rússia, imediatamente aceite por Damasco.

 

O jornal “El País” refere que a proposta defendida por Fabius, que será posta à discussão pela França, com apoio americano e britânico, no Conselho de Segurança, assenta em três premissas essenciais. Uma resolução deste órgão da ONU deve conter uma condenação, ao regime sírio, pelos ataques de dia 21 de Agosto com recurso a gás sarin. Devem ser estabelecidas sanções contra os responsáveis pelo ataque e prevista uma exigência ao governo sírio para que entregue, à comunidade internacional, o arsenal químico a fim de este ser desmantelado.

 

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, já reagiu à proposta de Paris e declarou, segundo o “The Guardian”, que tal proposta “só poderá resultar se os americanos, e aqueles que os apoiam, rejeitarem a utilização de força”. Acrescenta que tem esperança que este plano seja “um passo na direcção da resolução pacífica deste conflito”. Também em reacção à proposta que França vai levar ao Conselho de Segurança, que decorrerá à porta fechada a pedido de Moscovo, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, declarou que uma resolução das Nações Unidas que culpe a Síria pelos ataques com armas químicas seria “inaceitável”. Ter-se-á de esperar pelo final da reunião para avaliar se se mantém o impasse.

 

Na passada segunda-feira, depois de finalizada uma pequena cimeira bilateral entre a Rússia e a Síria, Moscovo divulgou que a melhor solução para o escalar da tensão sobre o caso sírio passaria pela possibilidade de Damasco dar livre e incondicional acesso à comunidade internacional, ao arsenal de armas químicas. Moscovo acrescentava que subsequente a esta abertura deveria estar a destruição destas armas. Naquilo que terá sido, provavelmente, uma posição concertada entre a Síria e a Rússia, Damasco admitiu imediatamente que concordava com esta solução, demonstrando total abertura para seguir esse processo. Irão e China já vieram, esta terça-feira, defender que este deve ser o caminho a trilhar.

 

Se é verdade que tanto os Estados Unidos, como a França ou o Reino Unido parecem concordar com esta solução, não negligenciam a possibilidade de esta proposta constituir uma manobra de diversão, que permita ao regime de Damasco ganhar tempo enquanto adia uma eventual operação militar americana. O secretário de Estado americano, John Kerry, avisou que apesar de concordar com o espírito da ideia apresentada por Moscovo, Washington “não se irá deter com tácticas de protelação”.

 

A este respeito, Chuck Hagel, secretário de Defesa americano, mostrou “esperança de que esta possa ser a solução para a crise síria”, mas também insistiu na necessidade de “garantir que esta não é uma táctica dilatória”. O ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Walid al-Moualem, em declarações à agência russa “Interfax”, repetiu que vê com bons olhos o plano apresentado segunda-feira por Moscovo porque “iria eliminar as razões para um ataque militar norte-americano”.

 

Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, que segunda-feira se desdobrou por seis entrevistas televisivas, anunciou que se o arsenal químico sírio for colocado sob supervisão internacional e posteriormente destruído, será suspensa a eventual operação militar americana. “Absolutamente”, tendo acrescentado que “sempre preferi uma resolução diplomática para este problema”.

 

Obama, que de acordo com vários órgãos de comunicação social, entre os quais o “The New York Times”, permanece, esta terça-feira, na prossecução do maior número de apoios, para a proposta de intervenção militar contra Damasco, revelou na noite passada que “não direi que estou muito confiante”. Enquanto o presidente americano tenta recolher o maior número de apoios, para a votação que irá decorrer na próxima quarta-feira no Congresso, o nível de popularidade em relação à política externa de Obama atinge os valores mais baixos desde que chegou à Casa Branca.

 

Não existem dados que permitam avaliar qual o caminho que será seguido nos próximos dias. O Conselho de Segurança poderá ajudar a clarificar se é possível uma solução de compromisso. Obama, que parece não conseguir garantir a legitimidade interna que pretendia, é cada vez mais obrigado a seguir, nas suas palavras, “uma solução diplomática”. Todavia, Putin poderá ter que aceder às pretensões francesas, e assim fazer valer a solução apresentada na segunda-feira.

 

Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português fez saber, através de um comunicado, que defende que se prossiga na criação de “um consenso tão amplo quanto possível” que possibilite chegar-se a uma “solução política” para o problema na Síria.

 

 

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