Política Álvaro, o único ministro "sacrificado"

Álvaro, o único ministro "sacrificado"

A remodelação governamental só tira um ministro do actual Governo. Álvaro Santos Pereira, independente, é o "sacrificado". De resto, Pires de Lima e Rui Machete entram. Morais Soares ganha uma pasta e Assunção Cristas perde dimensão.
Álvaro, o único ministro "sacrificado"
Miguel Baltazar/Negócios
Alexandra Machado 23 de julho de 2013 às 21:42

Álvaro Santos Pereira chegou como independente ao Governo. E desde início se pediu a sua cabeça. Foi cedo dado como remodelável. Mas ficou dois anos. Mas a transferência da Economia para o CDS não permitiu que se mantivesse. 

 

Nesta remodelação é o único ministro a sair. "Tratem-me por Álvaro" foi a primeira marca de Santos Pereira, habituado no Canadá a poucos doutores e mestres.

 

Mas foi a sua docência, apimentada pelo blogue de economia Desmitos que o trouxeram para os jornais antes de mesmo de entrar para o Governo. Quando Passos Coelho chegou a primeiro-ministro, Álvaro Santos Pereira chegou a ministro da Economia com um mega ministério. Passos Coelho quis ter menos ministros e acomodou no ministério da Economia as tradicionais pastas deste governante e deu-lhe o Emprego e os Transportes e Obras pùblicas. Um mega-ministério que agora se dilui um pouco. Este ministério que passa para Pires de Lima fica sem o Emprego e sem a Energia. 

 

Na crise política e no acordo entre PSD e CDS percebeu-se que iria ser sacrificado, mas o Presidente da República deu-lhe mais três semanas de mandato. "O ministro que resiste a todas as tempestade" foi o título de um texto do Negócios depois de que Cavaco Silva não ter aceitado a remodelação. 

 

Apesar das polémicas e das críticas, Álvaro Santos Pereira é elogiado. Ficará nas fotos que marcam o acordo de concertação social com a UGT. Ficará na fotografia dos investimentos mineiros, que tanto gostava, ficará na fotografia da redução das rendas da energia ou da nova Lei da Concorrência. Ou ainda da primeira vez que o serviço universal de telecomunicações não está no operador histórico. Ficará também para a história pelos apelos à reindustrialização e pela exportação dos pastéis de nata. Uma das suas últimas conferências de imprensa foi ao lado de Vítor Gaspar, que também já saiu do Governo, para anunciar o "momento do investimento".

 

Nascido em Janeiro de 1972 em Viseu, Álvaro Santos Pereira licenciou-se em 1995 na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Prosseguiu os estudos no Reino Unido. E depois no Canadá, onde se doutorou, em 2003, pela Simon Fraser University.




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