África Angola será o segundo maior emitente de dívida de África

Angola será o segundo maior emitente de dívida de África

A agência de notação financeira Standard & Poor's (S&P) prevê que Angola necessite de emitir perto de 16 mil milhões de dólares em dívida este ano, mais 26,5% do que em 2017.
Angola será o segundo maior emitente de dívida de África
Lusa 25 de fevereiro de 2018 às 10:29

De acordo com o relatório sobre o endividamento dos países africanos, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso, Angola vai emitir 15,9 mil milhões de dólares este ano, o que representa uma subida de 26,5% face aos valores emitidos no ano passado e é o valor mais alto desde 2014, ano em que Angola recorreu aos mercados para angariar 17,3 mil milhões de dólares.

O relatório mostra que o país lusófono será o segundo maior emissor de dívida, só atrás da África do Sul, que vai endividar-se em 18,7 mil milhões de dólares este ano, o que representa uma subida de 7,8% sobre 2017.


Os analistas da S&P dizem que Angola tem o maior rácio de 'dívida rolante' face ao Produto Interno Bruto (PIB), cerca de 36%, o que significa que é o país que tem mais dívida a atingir a maturidade, o que geralmente é resolvido recorrendo a emissões de dívida de curto prazo para pagar dívida de longo prazo.


No total, o relatório da S&P sobre a dívida pública dos 17 países que a agência de 'rating' avalia na África subsariana mostra que estes países vão endividar-se em mais 57 mil milhões de dólares este ano.


Este valor representa uma subida de 7,4% face aos 53 mil milhões de dívida emitida no ano passado e comprova que a crise dos preços das matérias-primas, iniciada em 2014, continua a afectar fortemente estas economias dependentes dos recursos naturais para equilibrarem os orçamentos.

"Esta subida reflecte o aumento das emissões planeadas pelos maiores emissores, do ponto de vista histórico, [que são] África do Sul e Angola", lê-se no documento, que aponta que, no caso do país lusófono, o endividamento "deve-se parcialmente a grandes amortizações previstas para 2018", enquanto na África do Sul a subida explica-se pela "fraca trajetória orçamental".

Nos restantes, segundo o documento, as necessidades de financiamento vão manter-se relativamente estáveis, o que "reflecte um equilíbrio entre o ambiente ligeiramente mais favorável no mercado das matérias-primas e o aperto nas condições de financiamento decorrente da normalização da política monetária norte-americana".

A S&P espera que o ‘stock’ de dívida comercial chegue a 392 mil milhões de dólares no final deste ano em África e que o total (incluindo a concessional, a preços mais baixos do que os de mercado) atinja os 514 mil milhões de dólares.

O relatório da S&P surge em linha com as preocupações repetidamente manifestadas pela diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, que admitiu numa entrevista recente que 2018 pode ser o ano em que o problema da dívida vai explodir em África.

Numa entrevista à revista electrónica Quartz, Lagarde, quando questionada sobre o perigo de o problema da dívida explodir em 2018, respondeu: "Pode muito bem ser".


Para a líder do FMI, "o que pode desencadear esses sérios desenvolvimentos são, na verdade, as melhorias nas economias avançadas, nomeadamente a valorização de algumas moedas, e o aperto da política monetária norte-americana e talvez na zona euro, que tornam o fardo da dívida mais pesado nalguns países".




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