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Angola acusa entidades estrangeiras de fomentarem o caos e a desordem

José Eduardo dos Santos alegou "indisponibilidade momentânea" para não fazer esta quinta-feira o discurso sobre o Estado da Nação e delegou a leitura do discurso no vice-presidente, Manuel Vicente.

Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 15 de Outubro de 2015 às 12:08
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"Indisponbilidade momentânea". Foi esta a razão invocada pela Casa Civil do presidente da República de Angola para justificar a ausência de José Eduardo dos Santos, esta quinta-feira, 15 de Outubro, da cerimónia de abertura do ano parlamentar, onde como é hábito devia proferir o discurso sobre o Estado da Nação.

José Eduardo dos Santos delegou a tarefa de ler o seu discurso no vice-presidente da República, Manuel Vicente. O número dois do Estado angolano anunciou, perante os deputados cortes profundos. Assim, o investimento público será reduzido em 53%, enquanto os gastos do Estado serão diminuídos em 50%. Manuel Vicente, no discurso, culpabiliza "entidades estrangeiras" por estarem a fomentar o caos e a desordem no país.

"Há entidades estrangeiras interessadas em instalar o caos e a desordem nalguns países do nosso Continente para provocar a queda de partidos políticos ou de dirigentes com os quais não simpatizam. Os angolanos nunca vão ceder diante de quem quer que seja, sempre que se tratar da defesa dos seus interesses essenciais e vitais", afirmou Manuel Vicente. 

Manuel Vicente, no discurso sobre o Estado da Nação, revelou que este ano a China emprestou seis mil milhões de dólares (5,2 mil milhões de euros) a Angola e sustentou que o Governo não espera uma recessão. Outras estimativas apontadas pelo vice-presidente foram as de que a inflação se situe em 11%, estando "sob controle" e de que a economia registe um crescimento de 4%. Já a dívida, segundo Manuel Vicente, deverá cifrar-se em 45,8% do PIB em 2015. 

O vice-presidente de Angola sustentou que a economia angolana está cada vez menos dependente do petróleo mas reconheceu os problemas resultantes da queda do preço do crude. "O peso de receita tributária petrolífera na receita fiscal ainda é muito grande, representando dois terços do total e cerca de 95% das exportações. Por essa razão, temos de intensificar a implementação da Reforma Tributária, por forma a alargar a base tributária e a reduzir a vulnerabilidade da despesa pública face às flutuações do preço do petróleo", declarou. Manuel Vicente admitiu que esta situação "faz diminuir a oferta de cambiais para os agentes económicos e tem um impacto directo no crescimento do PIB, gerando efeitos em toda a economia, em consequência das relações entre os diversos sectores".

(Notícia corrigida. Onde se lia "países terceiros" passou a estar "entidades estrangeiras")
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