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Ao fim de 22 dias, a direita deu a mão a António Costa

Passos Coelho tinha avisado o PS para não contar com o apoio das bancadas da direita. Mas ao fim de 22 dias, PSD e CDS ajudaram o PS a manter a taxa sobre as pensões mais altas.

Miguel Baltazar/Negócios
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 18 de Dezembro de 2015 às 17:02
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O presidente do PSD deixou o aviso no dia em que o Parlamento aprovou o programa do Governo de António Costa. "No dia em que o nosso apoio possa ser decisivo para alcançar algum resultado essencial", Passos Coelho deu a entender que iria pedir eleições: "apenas esperamos que tenham a dignidade de disso retirarem a consequência natural e devolverem a palavra ao povo". Porém, esta sexta-feira, dia 18 de Dezembro, a direita deu a mão ao Governo de Costa.

 

Tanto o PS como PSD e CDS apresentaram propostas semelhantes para manter a Contribuição Extraordinária de Sustentabilidade (CES) nas pensões mais altas ao longo do próximo ano. A proposta da direita foi chumbada e só passou à fase seguinte, da especialidade, a do PS. Porém, os socialistas não conseguiram garantir um acordo com os restantes três parceiros da esquerda – Bloco, PCP e Verdes – para prolongar a vigência desta taxa no próximo ano. Mas para isso contaram com a direita.

 

A taxa é de 7,5% para as pensões acima de 4.611 euros e de 20% para as pensões acima de 7.127 euros. A manutenção da CES em 2016 foi aprovada com os votos a favor do PS, PSD, CDS e PAN. Bloco, PCP e Verdes votaram contra.

 

As bancadas da direita não deixaram de assinalar a contradição dos socialistas. "Há 20 dias votaram contra porque a proposta tinha o nosso logótipo, hoje votam a favor porque a proposta tem o vosso logótipo. Quando a austeridade é de esquerda é boa; se não é vossa, é ideológica e inaceitável", criticou António Leitão Amaro, do PSD, citado pela Lusa. Cecília Meireles acusou os socialistas de incoerência. "A nossa posição é, foi e será sempre a mesma. A do PS é que uns dias é uma coisa e noutros dias é outra", acusou.

 

Em resposta, João Galamba, deputado do PS, lembrou que a CES foi criada em 2010 por um Governo socialista mas que se aplicava a apenas "0,3% dos contribuintes". E que "quem criou a CES para os outros foi o PSD e o CDS", que só não avançou devido ao chumbo do Tribunal Constitucional.

 

O Governo de António Costa tomou posse a 26 de Novembro, pelo que passaram 22 dias até precisar pela primeira vez do respaldo parlamentar da direita.

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