Mundo Arábia Saudita vai abrir portas aos turistas pela primeira para diversificar receitas

Arábia Saudita vai abrir portas aos turistas pela primeira para diversificar receitas

A Arábia Saudita anunciou hoje que vai abrir portas, pela primeira vez, aos turistas estrangeiros e emitir vistos de turismo como forma de diversificar as suas receitas, atualmente dependentes do petróleo.
Arábia Saudita vai abrir portas aos turistas pela primeira para diversificar receitas
Bloomberg
Lusa 27 de setembro de 2019 às 16:24

Até agora, o reino ultraconservador só emitia vistos para peregrinos, expatriados e, desde o ano passado, para espetadores de eventos desportivos ou culturais, mas vai passar a deixar entrar turistas de 49 países.

 

O desenvolvimento do turismo é um dos principais pontos do programa de reformas "Visão 2030", concebido pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que tem como objetivo preparar a maior economia árabe para a era pós-petróleo.

 

O anúncio é feito duas semanas depois dos ataques a várias infraestruturas petrolíferas sauditas, pelos quais os Estados Unidos culpam o Irão, e que abalaram o mercado petrolífero mundial.

 

"Abrir a Arábia Saudita a turistas estrangeiros constitui um momento histórico para o nosso país", afirmou, em comunicado, o diretor do turismo do país, Ahmed al-Khateeb.

 

"Os visitantes ficarão surpreendidos ao descobrir os tesouros que temos para partilhar: cinco locais classificados pela Unesco como património da humanidade, uma cultura local vibrante e belezas naturais de tirar o fôlego", garantiu.

 

O país espera que, até 2030, o turismo represente 10% do Produto Interno Bruto e que atraia 100 milhões de visitantes por ano.

 

Para tal, o reino saudita irá atenuar o código de vestuário feminino para as mulheres estrangeiras, permitindo que não vistam a abaya, uma espécie de vestido comprido que cobre todo o corpo da mulher com exceção da cara, dos pés e das mãos, e que é obrigatória para as sauditas quando estão em público, adiantou Ahmed al-Khateeb.

 

Apesar disso, as turistas terão de usar "roupas pudicas", acrescentou.

 

A Arábia Saudita, um reino considerado muito austero, com padrões sociais muito rigorosos e onde o álcool é proibido, não consta da lista de destinos mais pretendidos pelos turistas.

 

O príncipe Mohammed bin Salman quer, no entanto, que essa perceção seja alterada e já introduziu algumas reformas liberais que permitiram a abertura de cinemas e a organização de espetáculos culturais e eventos desportivos no país.

 

Mesmo com estas aberturas, a procura dos turistas pode não ser tão grande como os sauditas esperam, referem especialistas ouvidos pela agência de notícias francesa AFP.

 

Segundo explicam, a Arábia Saudita continua a ser vista como um país que viola os direitos humanos e o caso do assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, no ano passado, vai dificultar a mudança dessa imagem.

 

Em 2017, o reino saudita anunciou um projeto multimilionário para transformar 50 ilhas e outros locais do Mar Vermelho em 'resorts' de luxo.

 

Além disso, a Arábia Saudita está também a desenvolver centros arqueológicos, como Madain Saleh, que abriga túmulos de arenito da mesma civilização que construiu a famosa cidade antiga da Jordânia, Petra.




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