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Argentina enfrenta sanções do FMI devido a manipulação de estatísticas

Reunião da administração do FMI discute hoje o assunto. Expulsão do G20 é uma das possibilidades que estará a ser ponderada para sancionar o governo de Cristina Kirchner.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 17 de Dezembro de 2012 às 15:47

O Fundo Monetário Internacional (FMI) discute hoje o que fazer perante a passividade de Buenos Aires face às sistemáticas advertências de que as estatísticas que produz e reporta não têm correspondência com o que será a realidade.

 

Uma das possibilidades de retaliação passa pela suspensão de voto no seio do FMI ou mesmo pela expulsão da Argentina do G20, um dos principais fora de coordenação de políticas ao nível mundial, com base no artigo do Fundo que impede os seus países-membros de “cooperarem com práticas que possam ser contrárias aos objectivos do FMI”.

 

A hipótese é adiantada pelo “The Guardian”, segundo o qual Christine Lagarde, directora-geral do FMI, perdeu a paciência com Cristina Kirchner, presidente argentina, que tem respondido com silêncio às advertências de que precisa de produzir e difundir estatísticas fiáveis, designadamente sobre a inflação.

 

As estatísticas oficiais da inflação sugerem que os preços têm crescido em torno de 10%, mas as avaliações independentes apontam para variações na casa dos 25% e até mais. Uma das explicações para a manipulação da inflação prende-se com os salários a esta indexados, que são assim aumentados numa proporção inferior.

 

As críticas da comunidade internacional remontam a 2007, ano de eleições presidenciais, quando a taxa de inflação começou a subir acentuadamente. Em resposta, o Executivo (de Néstor Kirchner, marido de Cristina, entretanto falecido) decidiu substituir a "mensageira": Graciela Bevacqua, a então directora responsável pela medição do Índice de Preços ao Consumidor no Instituto Nacional de Estatísticas e Censos, foi demitida e chegou a ser acusada de atentar contra os interesses do país.

 

Em Fevereiro, a revista “The Economist” avisava os leitores de que deixava de publicar os dados de Buenos Aires. Em “Don’t lie to me  Argentina”, a revista explicava que preferia utilizar métodos alternativos assumidamente imperfeitos para medir o comportamento dos  preços, a partir de transacções online, do que dar voz a números que sabia truncados.

 

Em declarações ao "The Guardian", Gabriela Cerruti, deputada do partido do Governo, admite a existência de falhas no reporte estatístico, mas encara este caso como de intromissão. “Todas estas grandes organizações internacionais querem dar palpites sobre a nossa economia. Dizem que não somos transparentes porque não fazemos o que querem que façamos”, argumenta.

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