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Argentina tenta evitar bancarrota a menos de 24 horas do prazo final

Buenos Aires joga o tudo ou nada na reunião de terça-feira com o mediador apontado por tribunal norte-americano. Argentina pode entrar no quarto incumprimento desde 1982. Credores que recusam reestruturação de dívida exigem 1,33 mil milhões de dólares.

Bloomberg
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 28 de Julho de 2014 às 20:06
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É uma última cartada por parte da Argentina para tentar evitar a sua segunda bancarrota no espaço de 13 anos. A segunda maior economia da América do Sul pode vir a entrar em incumprimento de pagamentos na quarta-feira.

 

O governo argentino vai reunir-se na terça-feira com Daniel Polack, o mediador apontado pela justiça norte-americano para fazer a ponte entre Buenos Aires e os credores que recusam aceitar a reestruturação de dívida. Este vai ser o quinto encontro entre as duas partes no espaço de um mês, que terminaram até agora sem resultados práticos.

 

"Eu apelo novamente a conversações directas, frente-a-frente, com os detentores de dívida, mas isso não vai acontecer amanhã", disse Daniel Polack em comunicado, citado pela agência Reuters.

 

A Argentina pretende ganhar tempo para negociar com os fundos de investimento que apelida de "abutres", enquanto procede ao pagamento aos credores que aceitaram as reestruturações de dívida em 2005 e 2010.

 

O prazo para pagar a estes credores termina na quarta-feira, dia 30 de julho, após um período de graça de 30 dias. No final de Junho, Buenos Aires falhou o pagamento de um cupão de 832 milhões de dólares (619 milhões de euros) aos credores que aceitaram o "haircut", quando o juíz norte-americano Thomas Griesa impediu este reemboloso.

 

Com esta decisão, o magistrado pretende que o executivo de Cristina Fernández Kirchner chegue primeiro a acordo com os credores que recusam cortes no valor da dívida e só depois proceda ao pagamento dos 832 milhões de dólares.

 

Buenos Aires declarou que quer manter "um diálogo que estabeleça condições de negociações justas para todos os credores", disse Jorge Capitanich, chefe do gabinete de ministros argentinos, citado pelo jornal Clarín.

 

O responsável sublinhou que "todas as negociações demoram o seu tempo" e que no encontro com o mediador será retomado o diálogo sobre "obrigações financeiras não contraídas" pelo actual governo do país.

 

O juíz Thomas Griesa decidiu em 2012 obrigar a Argentina a pagar 1,33 mil milhões de dólares (990 milhões de euros) aos credores que rejeitam cortes na dívida. A decisão foi confirmada recentemente pelo supremo tribunal norte-americano.

 

Os fundos Elliott Management Corp e Aurelius Capital Management LP compraram dívida argentina a preço de saldo após o incumprimento de 100 mil milhões de dólares em 2001 e recusaram negociar uma reestruturação.

 

Até ao momento, Buenos Aires recusou encontrar-se directamente com estes credores, argumentando que os fundos preparam-se para fazer um lucro de 1680% no espaço de seis anos com a dívida argentina.

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