Economia As pessoas mais felizes do mundo têm um problema de dívida

As pessoas mais felizes do mundo têm um problema de dívida

As pessoas mais felizes do planeta vão receber ajuda para gerirem as finanças.
As pessoas mais felizes do mundo têm um problema de dívida
Bloomberg 16 de fevereiro de 2020 às 15:00

Na Finlândia, que liderou o mais recente Relatório Mundial da Felicidade das Nações Unidas, o banco central está a desenvolver uma estratégia de literacia financeira para os cidadãos.

A ideia, concebida num país que já supera grande parte do mundo desenvolvido no setor de educação, é descobrir se um pouco mais de perspicácia financeira ajudará os finlandeses a endividarem-se menos.

O endividamento das famílias finlandesas duplicou nas últimas duas décadas num contexto de queda dos juros e obsolescência gradual do dinheiro como forma de pagamento. A população da Finlândia, sede de empresas como a Nokia e a Rovio, criadora do famoso jogo Angry Birds, é conhecida pela maior abertura para o mundo da tecnologia do que a maioria das pessoas. Mas a disposição para adotar pagamentos digitais em vez de dinheiro coincidiu com uma menor disciplina nos hábitos de consumo.

Agora, um recorde de 7% dos 5,5 milhões de cidadãos da Finlândia não conseguem pagar as contas, um aumento de 30% em relação aos últimos dez anos. Nos últimos anos, as autoridades alertaram, em particular, para o crescimento do crédito ao consumo.

Juha Pantzar, presidente da Guarantee Foundation, que ajuda pessoas muito endividadas a recuperarem o controlo das finanças, diz que o facto de "o dinheiro ter desaparecido" criou uma nova realidade que "turva a perceção de muitas pessoas sobre o dinheiro".

"Muitas pessoas têm dificuldade em estimar onde gastam o dinheiro, quanto terão no final do mês e quanto se podem dar ao luxo de pedir emprestado", disse.

Há cerca de 20 anos, o dinheiro era usado em 70% das transações de pagamento nas lojas, e os cartões representavam o restante. Agora, essas métricas mudaram: cartões, smartphones e outras formas de pagamento digitais foram usados em mais de 80% das operações em 2018, de acordo com dados compilados pelo banco central.

Olli Rehn, governador do Banco da Finlândia, diz: "Muitos consumidores já mudaram para o mundo digital" quando se trata de pagamentos. "As pessoas não têm mais as limitações físicas de orçamento que costumavam ter e isso dificulta a gestão das suas finanças".



É aí que o banco central espera fazer a diferença. O seu primeiro passo será compilar dados e melhores práticas de organizações que já estão no terreno, numa tentativa de ampliar o seu trabalho e garantir que todos os grupos da sociedade estão a receber assistência adequada. Em seguida, estabelecerá metas nacionais para a literacia financeira e trabalhará com terceiros para coordenar a implementação do plano nacional.

 

"Já está a ser feito muito trabalho entre os jovens, mas muitas pessoas mais velhas precisam de ajuda para lidar com os serviços financeiros cada vez mais digitais", Anu Raijas, consultor sénior do Banco da Finlândia que está a desenvolver a estratégia de alfabetização financeira. "O objetivo é ter os dados compilados e uma estratégia pronta até ao final do ano".

 

A Finlândia já explorou outras formas de reduzir a dívida das famílias. O regulador financeiro limitou o crédito à habitação a 85% do preço do imóvel, e estão em curso planos no Ministério das Finanças para avançar com mais restrições.




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