Eleições As 15 afirmações mais polémicas de Trump ao longo do último ano

As 15 afirmações mais polémicas de Trump ao longo do último ano

Fez no dia 16 de Junho um ano que Donald Trump entrou na corrida a candidato presidencial nos EUA, pelo partido Republicano. Nestes últimos 12 meses, muitas foram as "tiradas" do magnata do imobiliário e estrela do "reality show" "The Apprentice" que têm deixado meio mundo espantado e ainda mais surpreendido por este ter sido o candidato que resistiu até ao fim.
As 15 afirmações mais polémicas de Trump ao longo do último ano
Reuters
Carla Pedro 18 de junho de 2016 às 16:00

Quando há um ano anunciou a sua candidatura, logo nos primeiros cinco minutos do seu discurso declarou que os imigrantes ilegais do México eram violadores e passadores de droga – "o tipo de comentário que, com qualquer outro candidato, seria desqualificante e o suficiente para pôr fim à sua campanha antes de esta ter realmente começado", sublinha a Bloomberg.

 

Mas, para Trump, não foi o caso. Muito pelo contrário, pois ao longo de toda a campanha o milionário norte-americano conseguiu "cilindrar" os seus 16 rivais republicanos nas sucessivas primárias e caucus na corrida à Casa Branca.

 

O seu discurso, percebe-se, mudou muitas vezes - consoante a audiência que tinha. Mas houve características que ficaram bem patentes. "A [sua] mistura ideológica compreende três componentes principais: uma animosidade virulenta contra os imigrantes, uma retórica anticomercial ignorante e um sentimento extremo antigoverno. Individualmente, nenhuma destas componentes seria prejudicial. Juntas, constituem um duro golpe para os EUA e para a prosperidade global, ao mesmo tempo que diminuem a segurança nacional e internacional, referia recentemente Simon Johnson, professor na Sloan School of Management do MIT e co-autor do livro "White House Burning: The Founding Fathers, Our National Debt, and Why It Matters to You".

 

A Bloomberg fez uma compilação das suas declarações mais controversas – alturas em que Trump fez comentários que poderiam ter afectado a sua sobrevivência política. Não foi o que sucedeu. Vejamos 15 deles.

 

1. Chama violadores aos imigrantes mexicanos
(16 de Junho de 2015, apresentação da candidatura em Nova Iorque)


"Os EUA tornaram-se a lixeira dos problemas dos outros. É verdade. E não falamos dos melhores e mais requintados. Quando o México envia cidadãos seus, não envia o que de melhor tem. (…) Envia pessoas com imensos problemas e essas pessoas trazem esses problemas para cá. Trazem drogas, trazem crime, são violadores. Alguns, assumo, são boas pessoas", afirmou.


Mas disse mais. "Os principais fornecedores de heroína, cocaína e outras drogas ilícitas são cartéis mexicanos que têm imigrantes mexicanos a tentar passar a fronteira para traficarem. (…) Do mesmo modo, há doenças infecciosas terríveis que estão a passar a fronteiras. (…)".


Trump, recorde-se, prometeu erguer um muro ao longo da fronteira dos EUA com o México.

 

2. Diz que John McCain não é um herói

(18 de Julho de 2015, Family Leadership Summit, Ames, Iowa)


"Ele não é um herói de guerra. Foi considerado um herói de guerra porque foi capturado. Eu gosto de pessoas que são capturadas", disse, referindo-se ao republicano John McCain [que foi derrotado por Obama na corrida às presidenciais de 2008], feito prisioneiro na guerra do Vietname, onde ficou cinco anos e meio encarcerado, tendo sido sujeito a tortura repetida e dois anos de confinamento solitário.


McCain, entretanto… já manifestou o seu apoio ao candidato Trump.

 

3. Alude à menstruação de Megyn Kelly

(7 de Agosto de 2015, entrevista à CNN)


"Havia sangue a sair dos seus olhos. Sangue a sair por toda ela. Acho que ela estava fora de si".


Não foi a primeira vez que teceu comentários pouco simpáticos relativamente às mulheres. Desta vez o "alvo" foi Megyn Kelly, umas das moderadoras do debate de 21 de Julho na Fox News, que juntou os 10 candidatos republicanos mais bem posicionados do partido (conhecido também como Grand Old Party – GOP).


Uma vez que Donald Trump era o mais bem colocado nas preferências dos republicanos para disputar as presidenciais, ficou ao centro, durante o debate. Mais ou menos inflamada, a troca de opiniões foi tendo lugar, até que Megyn Kelly decide questionar Trump – conhecido por opiniões pouco simpáticas relativamente ao sexo feminino – sobre os seus insultos dirigidos a mulheres. O empresário não gostou e posteriormente, numa entrevista à CNN, deu a entender que a pivot estaria no ciclo menstrual.


Sobre Megyn Kelly, o magnata do imobiliário disse à CNN que, durante o debate, se podia ver que "havia sangue a sair dos seus olhos. Sangue a sair por toda ela". O comentário caiu mal e Trump afirmou entretanto que se referia ao nariz e que só uma "pessoa doente" poderia ter interpretado de outra forma.


Durante o debate, recorde-se, quando Kelly o questionou sobre os comentários que por vezes faz sobre as mulheres, lembrando que já as tinha chamado de "porcas, cadelas, patetas e animais nojentos", Trump respondeu gracejando, dizendo que só tinha chamado tudo isso a Rosie O’Donnell [actriz e comediante norte-americana]. As gargalhadas fizeram-se ouvir na audiência, mas Kelly não gostou da "piada" e respondeu que o empresário não se referia apenas a Rosie quando falava assim. Donald Trump acabou por dizer – e tem reiterado a afirmação noutras ocasiões – que não tem tempo para o "politicamente correcto" e que acha que o país também não.

 

4. Insulta a aparência de Carly Fiorina

(14 de Agosto de 2015, no voo de regresso a casa depois de ter estado em campanha em Hampton, New Hampshire)


"Olhem para aquela cara! Alguém votaria naquilo? Conseguem imaginar aquilo como sendo a cara do nosso próximo presidente?", disse, referindo-se à ex-CEO da Hewlett-Packard e única mulher que tentou a nomeação a candidata às presidenciais pelos Republicanos.


"O que eu quero dizer é que ela é uma mulher. Não é suposto eu dizer coisas desagradáveis, mas a verdade é que… sejamos francos: isto é para levar a sério?", comentou ainda a propósito de Fiorina.

 

5. Diz que os eleitores não ligam à política

(15 de Agosto de 2015, entrevista na Iowa State Fair)


Sobre a divulgação, pela imprensa, de relatórios sobre medidas políticas, Trump disse: "Bom, para ser honesto, acho que a imprensa está mais desejosa de ver o relatório do que os eleitores. Penso que os eleitores gostam de mim, que me compreendem. Eles sabem que vou ser eficiente".


De facto, não ligam muito, diz a Bloomberg. "Mas, ainda assim, é algo que normalmente não se diz", acrescenta a agência noticiosa.

 

6. Obtém conselhos em matéria militar nos programas televisivos

(16 de Agosto de 2015, entrevista à NBC)


"Com quem fala actualmente para receber conselhos sobre matérias militares", perguntou o jornalista Chuck Todd. "Bom, vejo programas de TV. Vejo muitos", respondeu Trump.

 

7. Sugeriu que o 11 de Setembro aconteceu por culpa de George W. Bush

(16 de Outubro de 2015, entrevista à Bloomberg)


"Acho que sou muito mais competente do que todos eles. Digam o que quiserem, mas o World Trade Center veio abaixo durante o seu mandato", comentou, referindo-se ao ex-presidente George W. Bush.

 

Ao longo de toda a campanha, Trump conseguiu “cilindrar” os seus 16 rivais republicanos nas sucessivas primárias e caucus na corrida à Casa Branca.
Ao longo de toda a campanha, Trump conseguiu “cilindrar” os seus 16 rivais republicanos nas sucessivas primárias e caucus na corrida à Casa Branca.
Bloomberg



8. Diz que os eleitores do Iowa são estúpidos

(13 de Novembro de 2015, campanha em Ft. Doge, Iowa)


Referindo-se às suas dúvidas acerca do facto de Ben Carson (que esteve entre os 10 republicanos mais bem posicionados na corrida à candidatura para ser o representante republicano nas presidenciais) ter mesmo tentado esfaquear um amigo, quando era adolescente (acusação que foi feita pela mãe de Carson): "Quão estúpido é o povo do Iowa?".


O mais impressionante, conforme sublinha a Bloomberg, é que Trump conseguiu ficar em segundo lugar neste Estado norte-americano.

 

9. Diz que os muçulmanos de Nova Jérsea festejaram o 11 de Setembro

(21 de Novembro de 2015, campanha em Birmingham, Alabama)


"Vi quando o World Trade Center caiu. E vi-o na cidade de Jérsea, Estado de Nova Jérsea, onde milhares e milhares de pessoas celebravam o facto. Milhares de pessoas estavam a festejar".


Nas repetidas verificações dos factos ocorridos no 11 de Setembro de 2001, nunca se comprovou que isto tenha mesmo acontecido, refere a Bloomberg.

 

10. Goza com jornalista com doença crónica

(25 de Novembro de 2015, campanha na Carolina do Sul)


"Escrito por um repórter simpático, mas… pobre homem… vocês têm de ver este homem! (e gesticula, imitando as mãos deformadas do jornalista".


É difícil de explicar, comenta a Bloomberg. O melhor mesmo é ver o vídeo.

  

11. Diz que se deve banir os imigrantes muçulmanos

(8 de Dezembro de 2015, Mt. Pleasant, Carolina do Sul)


"Donald J. Trump apela ao bloqueio total e integral à entrada de muçulmanos nos Estados Unidos até que os representantes do nosso país consigam perceber o que se está a passar", declarou.

A proposta não foi, contudo, muito popular junto do seu partido.

 

12. Incita à violência

(1 de Fevereiro de 2016, campanha em Cedar Rapids, Iowa)


"Houve quem me dissesse: ‘Sr. Trump, pode haver gente, entre o público, que traz tomates’. Por isso, se virem alguém prestes a atirar um tomate, batam-lhe, sim? Falo a sério. Ok? Esmurrem-no – e prometo-vos que pagarei a conta do advogado".

 

13. Diz que a atitude do Papa foi "vergonhosa"

(18 de Fevereiro de 2016, mensagem no seu site)


O Papa Francisco criticou Donald Trump, considerando-o um "não cristão", pela sua proposta de deportar imigrantes sem documentos (ou seja, ilegais) e construir um muro entre os EUA e o México.


O magnata do imobiliário reagiu de imediato, considerando que a atitude do sumo pontífice tinha sido vergonhosa. "Se - e quando - o Vaticano fosse atacado pelo ISIS [grupo autodenominado Estado Islâmico], que todos sabem que seria o seu derradeiro troféu, posso garantir-vos que o Papa desejaria e rezaria para que Donald Trump fosse o Presidente, porque isso não aconteceria. Comigo, o Estado Islâmico seria erradicado", escreveu.

 

14. Ameaça violar a Primeira Emenda

(26 de Fevereiro, comício no Texas)


"Se eu me tornar presidente, oh… eles [New York Times e Washington Post, que o entrevistaram durante a campanha e não escreveram coisas simpáticas sobre o candidato] vão ter problemas. Vão ter tantos problemas! E uma das coisas que vou fazer será mexer nas nossas leis sobre difamação, para que quando eles escreveram artigos falsos e propositadamente negativos e horríveis… possamos processá-los e ganhar imenso dinheiro".


Entretanto, esta semana Donald Trump anunciou que proibiu os repórteres do The Washington Post de cobrirem os seus actos de campanha. Isto depois de o jornal publicar um artigo criticando os comentários de Trump a respeito do presidente Barack Obama e do massacre ocorrido numa discoteca em Orlando (Flórida).

 

15. Culpa a Internet por uma alegação que terá feito e que se revelou infundada

(12 de Março, entrevista à NBC)


"A única coisa que sei é que está na internet". Foi este o seu comentário para explicar por que motivo é que tinha feito determinados comentários – dizendo que apenas repetiu o que leu online. Um candidato presidencial culpou assim a internet por ter sido mal informado, salienta a Bloomberg.




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