Economia Augusto Mateus diz que não há motivos para mercados perderem confiança em Portugal

Augusto Mateus diz que não há motivos para mercados perderem confiança em Portugal

O ex-ministro da Economia Augusto Mateus disse este sábado, 17 de Outubro, que não há, até agora, motivos para os mercados financeiros perderem confiança na economia portuguesa, a propósito das negociações em curso para a formação do novo Governo.
Augusto Mateus diz que não há motivos para mercados perderem confiança em Portugal
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 17 de outubro de 2015 às 15:05

Para o economista Augusto Mateus, que foi ministro do Governo socialista de António Guterres, o que poderia "prejudicar o país era não funcionar a democracia", algo que não está a acontecer em Portugal.

Augusto Mateus defendeu que o ajustamento "absolutamente necessário" que o país teve de fazer, devido à "enorme dificuldade das contas públicas", teve "um conjunto de pontos positivos e um conjunto de pontos negativos" e, eventualmente, o resultado das eleições legislativas de 4 de Outubro traduz a "vontade de correção" dos aspetos que estavam "errados" da política que foi seguida.

"Muito provavelmente, há uma oportunidade para haver uma relação mais interativa entre os partidos e para colaborarem mais uns com os outros naquilo que é do interesse nacional", sublinhou, considerando que "isso seria muito positivo".

O ex-ministro reconheceu que em matérias como a moeda única ou o tratado orçamental europeu, as diferentes posições assumidas pelos partidos fazem adivinhar "dificuldades maiores em certas matérias" a nível de entendimento entre as forças políticas.

"Obviamente, não podemos correr o risco de deixar que os mercados, sobretudo os mercados que financiam a economia portuguesa, convirjam para uma situação de desconfiança sobre o futuro da economia portuguesa, mas não há nenhuma razão para que isso tenha acontecido até agora nem que vá acontecer. Mas é algo, obviamente, que deve ser profundamente acautelado", afirmou.

Augusto Mateus falava em Macau, à margem do seminário "indústrias criativas em Macau", organizado pela associação Albergue Santa Casa de Macau, em que foi o orador convidado.

Sobre este tema, defendeu que Macau, que é um território pequeno e muito especializado no jogo, deveria explorar a cultura, a criatividade e o conhecimento "como novos fatores de criação de riqueza" e de criação de "um conjunto de sinergias" que tornem o turismo mais sustentável.

Augusto Mateus considerou que não é possível ter sustentabilidade tendo um único produto turístico (o jogo), sendo por isso necessário "arrastar outras atividades", como as artes, os espetáculos, os congressos e eventos, que considerou "absolutamente decisivos" para valorizar os investimentos que têm sido feitos no território.

O território deve, ainda, aliar essa aposta a uma estratégia de preservação do património e reabilitação urbana, de forma a que Macau seja um destino diferenciado "e, portanto, atrativo", defendeu.