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Austeridade pode reverter avanços na igualdade de oportunidades

Relatório da OCDE repete alerta de que as mulheres serão o grupo mais vulnerável às políticas de contenção de despesas públicas que estão a ser implementadas em diversos países, entre os quais Portugal.

Portugueses estão a trabalhar menos horas com contratos mais precários
Negócios 17 de Dezembro de 2012 às 14:44

Um novo relatório hoje divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) renova a advertência de que as políticas de austeridade adoptadas por vários países para lutar contra a crise podem "agravar ainda mais" a situação das mulheres no mercado de trabalho ao longo dos próximos anos.

 

"Nalguns países, as políticas de austeridade e a centralização de esforços para promover o regresso ao trabalho de pessoas que ficaram desempregadas por causa da crise podem retirar centralidade à questão da igualdade entre homens e mulheres", considera a OCDE, num relatório publicado nesta segunda-feira, citado pela AFP.

 

A OCDE teme ainda que "a redução das despesas públicas nas políticas familiares possa ser prejudicial às mulheres, em particular às mães solteiras". Além disso, "as reduções dos postos no sector público, anunciadas ou já implementadas em vários países, agravarão ainda mais a situação das mulheres no mercado de trabalho nos próximos anos".

 

Durante o período 2008-2009, a contratação de mulheres sofreu menos com a crise do que a de homens, que foram "os que mais sofreram com o crescimento do desemprego". Já no ano seguinte, em 2009, "a taxa de desemprego entre as mulheres continuou a aumentar, enquanto para os homens diminuía, ou aumentava de forma menos rápida".

 

Esta evolução poderá ser, pelo menos, parcialmente explicada pelo facto de os programas públicos terem como objectivo suavizar os efeitos da perda do emprego nos sectores de maioria masculina (indústria, por exemplo), o que confirma a observação, recorrente em épocas de recessão, de que são os homens quem correm maiores riscos de perder o emprego, mas também os que dispõem de mais oportunidades de encontrar outro trabalho quando a economia volta a crescer.

 

A OCDE diz que é preciso manter em mente que a força de trabalho feminina é um factor de desenvolvimento económico "determinante". Nos seus cálculos, uma convergência total das taxas de actividade dos homens e das mulheres permitiria um crescimento adicional do PIB dos trinta países da região de 12% em 20 anos.

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