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Autarca das Caldas diz que homem do gasóleo não facturou os serviços das autárquicas

Fernando Costa explicou ao Negócios que os serviços que Alberto Pinheiro prestou nas autárquicas não foram pagos pelo partido porque não foram facturados. A câmara vai abrir um inquérito formal para apurar se empresário abasteceu ou não gasóleo a mais.

Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 14 de Novembro de 2012 às 09:30
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Ao Negócios, Fernando Costa lembrou que decidiu suspender o abastecimento de combustível e a celebração de novos contratos com o empresário Alberto Pinheiro em Maio de 2011, após “uma averiguação rápida dos serviços da câmara ter concluído que estava a abastecer mais combustível do que aquele a que tinha direito”. Contudo, foi em Maio deste ano que o caso assumiu outras proporções.

“Em Maio, o homem fez-me uma ameaça, disse-me: ‘já não me deu trabalho no Verão passado, também não quer dar neste. Se não me dá mais trabalho quero ser ressarcido de todos os trabalhos que fiz na campanha eleitoral, em 2009’”, descreveu. O autarca diz ter ficado incrédulo: “há aqui nítida chantagem ao misturar os trabalhos da campanha com o que foram prestados à câmara”.

Nas autárquicas, afirma Costa, a candidatura que o reelegeu “gastou cerca de 70 mil euros ao todo”. Fernando Costa recorda-se de ter visto o empresário a prestar os serviços de que agora quer ser ressarcido: “eu vi o homem fazer essas coisas, mas ele não apresentou a factura ao partido. Com tanta coisa que tivemos de fazer e pagar, não demos pela falta da factura”, sustentou o autarca.

Fernando Costa tem uma explicação para a atitude do empresário: “preferiu não facturar os serviços para ficar nas boas graças da câmara, mas quem me conhece sabe que eu fico chateado com essas coisas”. O preço que Alberto Pinheiro estará agora a cobrar pelos préstimos de 2009 é de 10 mil euros, o que para o autarca “é um exagero”. “Os serviços da câmara avaliaram esses trabalhos – a cedência de um palco, instalação de som num jantar e o empréstimo de dois megafones – em três mil euros”.

Falta de rigor motiva inquérito formal ao abastecimento

O autarca das Caldas, que é líder da distrital de Leiria do PSD, admite que houve falhas que permitiram a Alberto Pinheiro abastecer os seus geradores mais do que devia. Os funcionários camarários deveriam verificar, em cada espectáculo, quantas horas o gerador esteve a funcionar, mas não o faziam em todos os espectáculos. “Houve falta de rigor do pessoal, deviam ter controlado os consumos em cima do acontecimento. É por isso que vou abrir um inquérito para apurar todos os factos, doa a quem doer”, assegurou.

Esse inquérito vai contar com “um técnico de energia e com um engenheiro para perceber se em função das horas de espectáculo e do consumo dos geradores” que é declarado pelo empresário “é possível gastar os litros que são reclamados por esse senhor”.

Alberto Pinheiro terá usado as bombas de combustível da câmara das Caldas da Rainha para, entre 2009 e 2011, abastecer indevidamente vários litros de gasóleo nos seus geradores, que usava em espectáculos promovidos pela autarquia, de acordo com o “Público”. Na edição de hoje, o diário explica ainda que não havia controlo no acesso às bombas.

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