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Autárquicas do Porto fervem debate no PS

A distrital agora liderada por Manuel Pizarro está debaixo de fogo por admitir não apresentar uma candidatura própria e apoiar Rui Moreira nas eleições de 2017.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 28 de Março de 2016 às 12:08
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As eleições autárquicas ainda estão a um ano e meio de distância, mas o posicionamento do PS na corrida à Câmara do Porto já está a aquecer o debate interno nas estruturas do partido. Em causa está a decisão do vereador Manuel Pizarro (na foto), que agora lidera a distrital socialista, de não se recandidatar em 2017 e defender o apoio ao independente Rui Moreira.

 

Depois de declarar que "seria incompreensível para as pessoas do Porto que protagonizasse uma candidatura contra" Rui Moreira e de admitir que isso pode significar o apoio do PS ao autarca eleito em 2013, várias vozes socialistas se têm levantando contra a posição do ex-secretário de Estado da Saúde de José Sócrates, que acaba de ser eleito presidente da federação distrital do PS.

 

O arquitecto José Gomes Fernandes, ex-vereador do Urbanismo e antigo vice presidente da Câmara no primeiro mandato de Fernando Gomes, disse ao CM que o PS "está a pôr-se de joelhos diante de Rui Moreira", considerando que Pizarro "parece que só quer o lugar e gosta de estar sentado no poder, quando o PS não pode andar a reboque de outrem".

 

"É um erro. O PS é um partido de poder e não pode deixar de concorrer com uma lista própria. (…) O partido terá um candidato próprio sem a menor dúvida e, se não for com Pizarro, será com alguém mais", avisou o histórico militante socialista, alinhando com as críticas deixadas num artigo de opinião pela deputada Isabel Santos, que vê "com muita dificuldade" este apoio ao movimento independente que lidera o município portuense, pois "ninguém entenderia" se o partido "abdicasse de ter uma candidatura com programa próprio à Câmara".

 

"O PS é um partido estruturante na democracia portuguesa, com uma matriz ideológica definida e enquadradora da sua intervenção nos diversos patamares da acção política. Renunciar a isso, para apoiar uma candidatura independente que afirma, com sobranceria, que não aceitará condicionar em nada o seu programa de modo a alargar a sua abrangência, implicaria abrir mão da sua identidade e do seu espaço político de uma forma absolutamente inaceitável. Incorrendo numa opção com consequências imprevisíveis em termos do que é a sua implantação política na cidade, com impactos ao nível da região e do país", escreveu a ex-governadora civil do Porto, que em 2009 disputou a Câmara de Gondomar com Valentim Loureiro.

 

Moreira divide à esquerda e à direita

 

É assim sob muitas críticas que Pizarro chega esta segunda-feira, 28 de Março, à primeira reunião como presidente da distrital socialista. O recém-eleito já desafiou os críticos a comparecerem no encontro e defenderem ali essa candidatura alternativa em 2017. E até já admitiu um referendo interno deliberativo sobre a corrida autárquica, algo que Isabel Santos pede que seja feito "com a maior brevidade de modo a que os militantes possam ter uma real e efectiva possibilidade de escolha e não sejam colocados diante de uma qualquer inevitabilidade gerada pelo passar do tempo".

 

Já a estrutura concelhia promete liderar esse processo "sem desrespeitar os militantes" e em articulação com a distrital e a direcção nacional comandada por António Costa, "sem abdicar da sua autonomia política e estatutária". Ainda assim, na sua página no Facebook, Tiago Barbosa Ribeiro deixou vários avisos aos críticos. "Não nos deixaremos condicionar e não nos desviaremos um milímetro do calendário que temos estabelecido. Também não faremos este processo nas páginas dos jornais. (…) Continuaremos a trabalhar sem ruído, com diálogo e com participação", escreveu o deputado e líder da concelhia socialista.

É compreensível que, pela sua dimensão e simbologia, muitos militantes do PS queiram participar no debate em torno das...

Publicado por Tiago Barbosa Ribeiro em Domingo, 27 de Março de 2016

 

Este dossiê das autárquicas no Porto está também a afastar os partidos da direita, aliás como já tinha acontecido em 2013 – na altura o CDS-PP deu o apoio a Moreira e o PSD apresentou Luís Filipe Menezes, que acabou por ficar em terceiro lugar. No recente congresso em que sucedeu a Paulo Portas, a nova líder, Assunção Cristas, assegurou que os centristas manterão esse posicionamento, enquanto os social-democratas vão lançar novamente um candidato próprio.

 

O ex-ministro José Pedro Aguiar Branco, o eurodeputado Paulo Rangel, o presidente da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, e Emídio Gomes, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte) foram os nomes elencados ao Público como potenciais candidatos pelo próprio vice-presidente da distrital do PSD, Firmino Pereira. O também deputado vê "com tristeza PS e CDS a acotovelarem-se no apoio" ao actual autarca e sustentou que "não há candidatos imbatíveis" e que "os portuenses não devem ficar circunscritos à fatalidade de Rui Moreira".

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