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Autoeuropa "só" aumenta salários em 1,6% nos próximos dois anos

O "lado b" desta subida revela que é o aumento mais baixo da última década e ocorre numa altura em que a Volkswagen obteve lucros na ordem dos 21.717 milhões de euros em 2012, mais 40,9% do que no ano anterior.

Bruno Simão/Negócios
João Carlos Malta joaomalta@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2013 às 00:01
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Numa época em que o tema dos salários tem quase sempre o substantivo redução a precedê-lo, um aumento de 1,6% como o que a Autoeuropa tem inscrito com os 3.603 trabalhadores no pré-acordo de empresa que vigorará até 2014, a que o Negócios teve acesso, pode ser visto como uma miragem. Mas o "lado b" desta subida revela que é o aumento mais baixo da última década (desde o acordo 2003-05), e ocorre numa altura em que a Volkswagen, terceira maior construtora do mundo de automóveis, obteve lucros na ordem dos 21.717 milhões de euros em 2012, mais 40,9% do que no ano anterior.

Aliás, mesmo no período que se seguiu à crise do "subprime", e que abrangeu o acordo entre 2008 e 2010, altura em que a indústria automóvel viveu uma época particularmente sensível, a fábrica de Palmela melhorou a folha salarial dos colaboradores em 5,8%.

Esta subida de vencimentos também fica aquém do que a Comissão de Trabalhadores (CT) chegou a tornar público em Janeiro, e que teria sido aceite pela administração. Na altura, a CT avançou que a melhoria salarial nos próximos dois anos seria de 2,1%. Recorde-se que no anterior acordo, que vigorou entre 2010-2012, os trabalhadores tiveram direito a um acrescento de 3,9% nas remunerações, ou seja, registou-se uma quebra de 2,3 pontos percentuais entre o anterior documento e o que estará em vigor até 2014.

Fábrica não recorre a despedimentos colectivos, se....

Quando há ainda uma grande indefinição em relação à possibilidade de um novo modelo ser produzido na Autoeuropa, a unidade nacional da Volkswagen assume, no pré-acordo de empresa com os trabalhadores, que não haverá despedimentos colectivos nos próximos dois anos.

Este dispositivo negocial, apesar de estar normalmente inscrito nos acordos entre trabalhadores e administração, ganha uma maior relevância depois de em Outubro em declarações ao Negócios, o director-geral da Autoeuropa, António Melo Pires, à pergunta: "Pode garantir que se vão manter todos os postos de trabalho?", ter respondido: "Garantias ninguém as pode dar obviamente, mas faremos tudo para manter o maior número de postos de trabalho. Todavia, isso depende dos nossos clientes".

Na altura, também o coordenador da Comissão de Trabalhadores, António Chora, e a administração da empresa concordaram que com a queda de produção diária de 625 para 550 automóveis, poderiam estar em causa cerca de 600 postos de trabalho.

Ainda assim, e mesmo tendo este compromisso, há uma ressalva que abre um vasto campo a todas as alterações que as circunstâncias exijam. "Caso se verifiquem alterações na situação da empresa ou do contexto envolvente, as partes acordam em analisar a situação com o objectivo de encontrar a melhor solução para o futuro da empresa".

Por fim, destaque para o facto de os trabalhadores terem conseguido manter os 22 dias de férias, mais dois dias a que todos terão direito, e um bónus de mais um dia para quem cumpra os critérios do absentismo. Ou seja, terão um máximo de 25 dias, contrariando o que será prática em Portugal.

 

 
Radiografia ao acordo 2012-2014

O pré-acordo entre a comissão de trabalhadores e a administração da Autoeuropa foi alcançado e será discutido em plenário de trabalhadores a 4 de Março. A votação do documento será feita dois dias depois, a 6 de Março, sendo que se for aprovado passará a vigorar logo no dia seguinte. 

 

Aumento de 1,6%

Nos dois anos em que vigora o acordo, os trabalhadores terão dois aumentos de 1,6%: um a 1 de Março deste ano, com retroactivos, e outro a 1 de Outubro também deste ano.

 

Prémio pago em Junho

A empresa compromete-se a pagar um prémio único em Junho deste ano, sendo que o valor será calculado a partir das seguintes parcelas: 9,6% do vencimento, acrescida da percentagem do subsídio de turno e da percentagem de isenção de horário de trabalho. No anterior acordo (2010-2012) os operadores dos escalões A e B recebiam 400 euros. Os operadores de outros pontos salariais e especialistas: o pagamento mínimo de 500 euros ou 40% do salário individual, conforme fosse mais favorável.

 

Vencimentos de admissão

Nos próximos dois anos, os operadores que forem integrados terão um salários de 650 euros mensais. Já os especialistas que começarem a trabalhar em Palmela vão auferir mil euros por mês. Estes salários, diz o pré-acordo de empresa, vão permanecer até Setembro de 2016.

 

Banco de horas alargados

O banco de horas passa a ter as regras de pagamento alterados, com a justificação de que a experiência tem demonstrado que a gestão dos "down days" é insuficiente quando aplicada apenas a 12 meses. Assim, em Dezembro de cada ano são contabilizados os dias em crédito. Em Janeiro são pagos os dias que resultam da diferença entre o saldo nesta data deduzidos aos 22 dias.

 

Subsídio de transporte

O subsídio de transporte terá um aumento de 2,5%, ainda assim, inferior há que se verificou entre 2010 e 2012, em que a subida foi de 5%. Já o seguro de vida tem agora um prémio maior, atingindo os 32 mil euros.  

 

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