Economia "Baixar impostos não deve ser hoje uma prioridade", diz Ricardo Paes Mamede

"Baixar impostos não deve ser hoje uma prioridade", diz Ricardo Paes Mamede

Para o economista e professor do ISCTE, se o Governo quisesse baixar impostos de forma significativa acabaria por beneficiar quem menos precisa. Por isso, Ricardo Paes Mamede defende que esta não deve ser a prioridade.
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Margarida Peixoto e Rosário Lira
Ricardo Paes Mamede, professor do ISCTE, defende que "baixar impostos não deve ser hoje uma prioridade". Em entrevista ao Negócios e Antena 1, o economista diz que o atual nível de impostos não é um entrave à economia e defende que para serem reduzidos de forma significativa, a medida acabaria por beneficiar sobretudo a camada da população que menos precisa.

"Não me parece que o nível de impostos seja um entrave fundamental ao investimento privado, ou ao exercício de atividade económica a título individual ou enquanto empresa", argumenta Ricardo Paes Mamede. Além disso, nota o professor, "os impostos têm vindo a tornar-se mais progressivos o que significa que são hoje mais justos do que foram no passado." 

Logo, "para a redução ser significativa provavelmente implicaria, neste momento, cortar impostos a quem menos precisa," conclui.

Ricardo Paes Mamede está mais preocupado com os níveis de investimento público, que considera demasiado baixos e, esses sim, prejudiciais ao futuro da economia nacional. Daí que, se fosse preciso escolher entre baixar impostos, ou aumentar o investimento público, o economista preferisse apostar no investimento.

É possível subir salários à função pública em 2020

O professor do ISCTE defende ainda que mesmo com a política orçamental atual, que considera demasiado restritiva, seria possível retomar a normalidade nos salários da função pública. Paes Mamede defende mesmo que qualquer Estado ou empresa, seja pública ou privada, deve evitar deixar os salários dos seus trabalhadores desvalorizar, sob pena de lhes transmitir uma mensagem de desvalorização.

Além disso, Paes Mamede também defende que o défice poderia ficar um pouco mais alto, sem que isso impedisse a descida da dívida pública e permitindo, dessa forma, apostar mais no investimento.



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