Política Monetária Banca da Zona Euro demonstrou “uma resiliência encorajadora” ao Brexit

Banca da Zona Euro demonstrou “uma resiliência encorajadora” ao Brexit

As garantias dos bancos centrais que cederiam a liquidez necessária, e uma estrutura de supervisão melhorada ajudaram os bancos a resistir à incerteza. O banco central vai permanecer vigilante e espera até Setembro para avaliar necessidade de mais estímulos.
Banca da Zona Euro demonstrou “uma resiliência encorajadora” ao Brexit
Reuters
Rui Peres Jorge 21 de julho de 2016 às 13:48

A banca e os mercados financeiros da zona euro aguentaram bem o choque inicial do resultado do referendo britânico que abre a saída do Reino Unido da União Europeia, para o que contribuiu o apoio e supervisão dos bancos centrais, avaliou Mario Draghi, em Frankfurt, a 21 de Julho, na última conferência de imprensa antes do Verão, identificando uma "resiliência encorajadora" dos bancos e instituições financeiras ao Brexit. Mas é cedo para cantar vitória, avisou também o líder do banco central, que voltará a avaliar a situação em Setembro, já com novas previsões para evolução da economia da Zona Euro e da taxa de inflação.

"Os mercados financeiros da Zona Euro aguentaram o aumento da incerteza e da volatilidade com uma resiliência encorajadora. A anunciada disponibilidade do bancos centrais para providencia liquidez, se necessária, e a nossas medidas de estímulo, assim como o enquadramento regulatório e de supervisão, ajudaram a manter o stress dos mercados contido", avaliou o banqueiro central, que continua a apostar numa recuperação da economia e das taxas de inflação na região nos próximos anos, embora avise que os riscos para a Zona Euro "estão enviesados para o lado negativo". E é por isso que permanecerá vigilante e preparado para actuar, sublinhou várias vezes na conferência de imprensa de uma hora que se seguiu à decisão de manter as taxas de juro em mínimos históricos.
 
O BCE está "preparado, disponível e capaz" de usar com "todas as armas disponíveis dentro do seu mandato" para estimular a retoma e a inflação na região, afirmou, isto depois de na sua declaração inicial ter dito que esperava por "mais informação, incluindo as projecções do staff" para "reavaliar as condições macroeconómicas" da região.

Os governadores do BCE decidiram manter as taxas de juros aplicadas aos bancos da Zona Euro em 0% para os empréstimos regulares à banca, e em -0,4% para os depósitos que as instituições façam em Frankfurt. Garantiram também que não haverá subidas no horizonte temporal previsível, e que o plano de compra mensal de activos de 80 mil milhões de euros" permanecerá até ao final de Março de 2017, e "depois disso, se necessário".

É preciso resolver problema da banca

O presidente do BCE foi várias vezes questionado sobre a sua avaliação da situação da banca em Itália, em Portugal e na Zona Euro, isto depois do FMI ter considerado que a banca portuguesa e italiana constituem riscos para economia mundial. Draghi fugiu à classificação, mas considerou ser importante resolver os problemas na banca "tão rápido quando possível".

"Não considero essa situação um risco, mas é um problema que tem de ser tratado", afirmou o presidente do BCE, lembrando que os elevados níveis de crédito mal parado travam a concessão de crédito, e impedem que as descidas de juros e os estímulos decididos em Frankfurt cheguem à economia real. 

A política monetária apoia a actividade económica e visa manter a estabilidade de preços, "mas para aproveitar o máximo da nossa políticas, é preciso um contributo "muito mais decisivo" de outras políticas tanto a nível nacional e comunitário, afirmou, defendendo mais reformas estruturais e mais investimento público na Europa. E é nesse contexto que considera "importante" que os países lidem com os problemas da banca, em particular os elevados níveis de crédito mal parado na Zona Euro. "Essa é uma reforma muito importante", reforçou, defendendo a criação de um mercado de créditos mal parados e de uma garantia pública a esses activos, para que não sejam vendidos a preços de saldo.  


Inflação longe da meta do BCE


A inflação na zona com moeda única aumentou para 0,1% em Junho, após dois meses a tocar em terreno ligeiramente negativo, ficando ainda distante da meta de inflação de 2% no médio prazo. Além disso, a recuperação na concessão de crédito permanece tímida, apesar dos vários instrumentos no terreno, que incluem taxas de juro baixas cobradas aos bancos, compras de obrigações de governos e empresas com o objectivo de baixar os custos de financiamento de médio e longo prazo, e empréstimos de longo prazo à banca que poderão até dar direito a receber dinheiro do BCE se esta conceder crédito.

O cenário macroeconómico para a Zona Euro ficou mais negro desde a última reunião de decisão de juros em Frankfurt, a 2 de Junho, em particular pela incerteza provocada pelo resultado do referendo britânico que abre caminho a uma saída do Reino Unido da UE. A Comissão Europeia espera que o crescimento da Zona Euro possa sofrer uma perda de 0,2 pontos percentuais este ano. Draghi tinha apontado para perdas que poderão chegar aos 0,5 pontos a três anos, em linha com as previsões iniciais do FMI.


Entre as hipótese de mais estímulos por parte do BCE está a possibilidade de estender o programa de compras de activos para lá de Março de 2017 ou aumentar o ritmo mensal de compras actualmente em 80 mil milhões de euros por mês. Nesse caso, tal poderia implicar uma flexibilização dos actuais limites de compras que, no caso português, poderão impedir compras adicionais para lá de 2016. É também admitida a possibilidade de levar a taxa de juro de depósitos para terreno ainda mais negativo. Tudo estará em cima da mesa dos governadores a 8 de Setembro.


(Notícia em actualizada às 14:45)




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