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Banco de Inglaterra reforça QE com mais 100 mil milhões de libras

O Governador da instituição, Andrew Bailey, anunciou um aumento do seu programa de compra de ativos em 100 mil milhões de libras para os 745 mil milhões. As taxas ficaram inalteradas.

POOL New
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 18 de Junho de 2020 às 12:07
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O Banco de Inglaterra reforçou o seu programa de compra de ativos em 100 mil milhões de libras (o equivalente a 111 mil milhões de euros), em mais uma tentativa de almofadar o impacto que a covid-19 está a ter numa economia que já conheceu uma contração robusta em abril. 

No entanto, o Governador da instituição, Andrew Bailey, optou por manter as taxas de juro em mínimos históricos nos 0,1%, contrariando as expectativas de que poderia cortá-las para território negativo, depois de o Governador ter admitido que nenhuma ferramenta estava posta de parte. Contudo, a decisão não era consensual. Apenas um dos 23 economistas questionados pela Bloomberg antecipava uma redução das taxas para patamares negativos. 

O Banco de Inglaterra estima que o renovado programa de compra de ativos esteja completo até perto da mudança de ano.

Este reforço foi em linha com o esperado pelos analistas, que apontavam para um aumento do "Quantitative Easing" britânico, que agora contempla 745 mil milhões de libras, ou 831 mil milhões de euros. Oito decisores políticos votaram favoravelmente a este reforço, enquanto que um mostrou-se contra.

Na reunião de política monetária ficou aberta a porta a mais estímulos no futuro, com o reforço do QE a ser visto como provável, caso a situação económica não dê sinais de rápida retoma. Luke Bartholomew, analista da Aberdeen Standard Investments diz que "é improvável que o Banco de Inglaterra desça as taxas de juro para níveis negativos", adiantando que, em vez disso, "esperamos um aumento do QE no futuro".

Depois de o anúncio, os juros britânicos a dez anos reverteram e subiram 2,6 pontos base para os 0,213%, uma vez que o Banco de Inglaterra anunciou que ia diminuir a velocidade das compras semanais de dívida de 13,5 mil milhões de libras para 9 mil milhões. A libra reagiu ao reforço alargando a queda face ao dólar. Perde agora 0,63% para os 1,2476 dólares.  

Na semana passada, o Gabinete Nacional de Estatísticas mostrou que a economia do Reino Unido contraiu 20,4% em abril, uma queda mensal recorde. Depois da divulgação dos números, Andrew Bailey disse que estava pronto para tomar novas medidas para atenuar esta queda.

A OCDE disse que o país vai enfrentar a maior contração económica dos últimos 300 anos (-11% em 2020). Um inquérito mensal realizado pelo Tesouro britânico aponta para uma queda de 9,1% neste ano. 

O pedido para subsídios de desemprego na região mais do que duplicou durante os dois meses em que esteve decretado o confinamento no país e a inflação caiu para cerca de um quarto da meta de 2% estabelecida pelo banco central. 

À imagem dos bancos centrais de todo o mundo, também o Banco de Inglaterra tem sido forçado a adotar medidas extraordinárias e sem precedentes para combater a maior crise para as contas britânicas dos últimos três séculos, em linha com o esforço realizado pelo governo para manter o máximo de empregos possível e o nível dos salários relativamente estável. 

Desde que a pandemia se fez sentir na economia local, Bailey cortou as taxas de juro para mínimos históricos, reiniciou o seu programa de compra de ativos e renovou o programa de compra de dívida direta às empresas mais necessitadas. Para além disso repetiu a fórmula usada em 2008 e anunciou que ia financiar diretamente o Estado britânico de forma temporária. 

Apesar de o país ter aliviado as medidas de restrição, com as lojas consideradas não essenciais a abrirem portas nesta semana, a possibilidade de um não acordo com a União Europeia para o Brexit está a deixar as empresas pressionadas. Contudo, Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, mostrou confiança na última reunião com membros do bloco central dizendo que se poderia atingir um acordo até julho deste ano. 

O período de transição para os remates finais nas negociações do divórcio já consumado terminam em dezembro deste ano e não será prolongado.
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