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Banco de Portugal revê PIB de 2020 em alta, mas continua abaixo da meta do Orçamento

O banco central manteve a previsão de crescimento para a economia portuguesa de 2% em 2019. Já a previsão para o próximo ano foi revista em alta, mas continua abaixo da meta do Governo.

Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 17 de Dezembro de 2019 às 13:05
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O Banco de Portugal manteve a previsão de crescimento do PIB nos 2% para este ano, segundo as projeções divulgadas esta terça-feira, 17 de dezembro, no boletim económico de dezembro. Já para 2020 a previsão de 1,7% fica abaixo da previsão de 1,9% do Governo que está subjacente à proposta de Orçamento do Estado para 2020 divulgada ontem.

A maioria das previsões para este ano apontam para um crescimento de 1,9%, sendo a exceção a Comissão Europeia e o Banco de Portugal que apontam para 2%. O Governo reiterou ontem no OE 2020 a meta de 1,9%.

No caso de 2020, também há consenso entre as instituições internacionais, mas neste caso divergem da previsão de 1,9% do Governo que consta da proposta do OE 2020. O Fundo Monetário Internacional (FMI) é o mais pessimista ao prever 1,6%, seguindo-se o Conselho das Finanças Públicas (CFP) e a Comissão Europeia com 1,7% e depois a OCDE com 1,8%.

No caso do BdP, a previsão foi revista em alta face a junho (1,6%) para 1,7%. Ressalve-se que as projeções do Banco de Portugal não têm em conta as medidas previstas no OE 2020 ou as que virão a ser aprovadas quando o processo orçamental terminar em fevereiro. "No caso do consumo público, a revisão decorre da hipótese de um maior crescimento da despesa pública ao longo do horizonte, num contexto em que a execução orçamental de 2019 tem sido mais favorável do que o anteriormente esperado e na ausência do Orçamento do Estado para 2020 à data de fecho deste Boletim", explicam os economistas do BdP. 

"Em relação a 2020, a projeção para o crescimento da atividade foi revista ligeiramente em alta face ao Boletim de junho, o que decorre de um maior crescimento do consumo privado e público", lê-se no comunicado do banco central, onde é explicado que "as projeções incorporam uma revisão em baixa do crescimento das exportações face ao Boletim de junho, associada à atualização das hipóteses para a procura externa dirigida a Portugal".

Para os anos seguintes, tanto para 2021 como para 2020, o Banco de Portugal prevê que a economia portuguesa cresça 1,6%. "A desaceleração projetada do PIB ao longo do período 2019-22 é resultado de um processo de maturação do ciclo económico – observado igualmente nas outras economias avançadas – que se traduz numa aproximação dos níveis de crescimento ao ritmo de crescimento potencial da economia", justifica o banco central. 

Exportações serão o calcanhar de aquiles
2019 foi o ano em que as exportações passam do trunfo da economia portuguesa para o calcanhar de aquiles. "O enquadramento externo da economia portuguesa tornou-se menos favorável em 2019, perspetivando-se uma recuperação modesta do ritmo de crescimento do PIB e do comércio mundiais ao longo do restante horizonte de projeção", escreve o banco central, assinalando que "existe incerteza em torno desta recuperação".

Assim, entre 2019 e 2022, as exportações deverão crescer "em torno de 2,8%", abaixo da média dos anos mais recentes, "o que reflete uma procura externa mais fraca e ganhos de quota de mercado de magnitude inferior". 

Também o contributo da procura interna para o PIB será "progressivamente mais baixa", projetando-se uma desaceleração "moderada" do consumo privado – em linha com o rendimento disponível – e do investimento, que "mantém, no entanto, um crescimento forte".

A desaceleração das exportações vai permitir que as importações continuem a crescer a um ritmo superior, deteriorando a balança comercial de Portugal. No entanto, a balança corrente e de capital deverá manter-se excedentária no horizonte da projeção graças à melhoria das balanças de rendimentos e de capital.

Inflação revista em baixa
A evolução dos preços foi revista em baixa pelo Banco de Portugal, algo que tem sido comum nos últimos anos tal como admitido pelo próprio banco central. "A inflação deverá diminuir em 2019, para 0,3%, e aumentar gradualmente ao longo do restante horizonte, atingindo 1,4% em 2022", antecipa o boletim económica. 

"As projeções para a inflação são revistas em baixa face às estimativas anteriores, em particular para 2019-20, refletindo a informação entretanto divulgada dos preços no consumidor e a revisão em baixa das hipóteses relativas ao preço do petróleo em euros", explica o BdP.

Em causa estão "alguns fatores idiossincráticos": o principal motivo foi a redução dos bens energéticos, mas também de medidas como "o aumento da comparticipação dos transportes públicos (redução no preço dos passes sociais), a redução dos valores das propinas do ensino superior e, com a extensão do direito a manuais gratuitos a todo o ensino secundário, a diminuição dos preços dos manuais escolares". 

"Adicionalmente, os preços de rubricas associadas ao turismo, em particular os preços de alojamento, apresentaram uma desaceleração significativa após os crescimentos expressivos nos últimos 2 anos", nota o BdP. 


No boletim o Banco de Portugal recorda que "estas projeções são parte integrante do exercício de projeção do Eurosistema de dezembro de 2019, e como tal são condicionadas num conjunto de hipóteses externas comuns a todos os países da área do euro". As previsões do Banco Central Europeu (BCE) foram divulgadas na passada quinta-feira.

(Notícia atualizada às 13h27 com mais informação)
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