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Banco central da China: Ajustamento do yuan está terminado

Após três dias de desvalorizações, altos responsáveis do banco central chinês garantiram que movimento não é para continuar. Mercados reagiram em alta.

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Global Markets React as PBOC Verbally Supports Yuan
Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 13 de Agosto de 2015 às 10:06
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Num movimento que tem espalhado apreensão pelo mundo o Banco Popular da China (BPC) reviu em baixa a taxa de câmbio de referência do yuan face ao dólar em 1,1% na quinta-feira, a terceira desvalorização diária consecutiva. Altos responsáveis da autoridade monetária acompanharam, no entanto, a decisão com garantias de que o banco central não permitirá desvalorizações acentuadas da divisa chinesa. As declarações foram bem recebidas nos mercados, com as bolsas europeias a abrirem em terreno positivo, reflectindo a expectativa de que a instabilidade cambial dos últimos dias tenha terminado.

Na terça-feira, o BPC anunciou uma nova forma de fixação do valor do yuan face ao dólar – o qual nos últimos meses tinha registado uma paridade quase perfeita com a moeda norte-americana, o que lhe custou uma valorização de quase 14% quando ponderado todo o comércio internacional chinês. No novo mecanismo os bancos que contribuem para a definição do valor da moeda têm de levar em conta nas suas ofertas o valor de fecho do dia anterior, a oferta e procura de reservas externas e a evolução das principais moedas. Esta informação é também tida em conta pelo banco central que define diariamente uma taxa de referência em relação à qual os bancos podem desviar-se num máximo de 2%.

Na sequência da alteração, a taxa de referência do yuan face ao dólar caiu 4,5% em três dias (1,9% na terça; 1,6% na quarta e 1,1% na quinta), o que permitiu que o valor da moeda no mercado tenha perdido cerca de 3,1% na semana, escreve o The Guardian.

O movimento surpresa alarmou investidores e decisores políticos em todo o mundo, receando uma política de desvalorização competitiva por parte das autoridades chinesas que promova uma guerra cambial, em particular com outras economias emergentes, o que poderia desestabilizar os fluxos financeiros internacionais. 


As últimas previsões do FMI e do Governo chinês apontam para um crescimento económico em torno dos 7% este ano, o valor mais baixo neste século e essa meta pode até estar comprometida com o fraco desempenho das exportações este ano – caíram 8% em Julho em termos homólogos.

A desvalorização do yuan ajuda os exportadores chineses e alivia a pressão inflacionista nas economias para onde passa a exportar mais barato. Saem prejudicados os exportadores para a China e as empresas que competem com produtos chineses no mercado internacional. Os investidores expostos ao yuan também perdem com a desvalorização, por contraposição aos que apostaram em activos refúgio – como ouro ou obrigações norte-americanos ou alemãs – que nos últimos dias valorizaram face ao receio que a economia chinesa passe por dificuldades mais fortes que as já antecipadas.

Banco central garante que já chega de quedas

As preocupações com a desvalorização do yuan são exageradas garantiram quinta-feira altos responsáveis do banco central, que defenderam que o ajustamento cambial está, no essencial, terminado.

Não há "base para uma desvalorização persistente e substancial" afirmou citado pelo Guardian numa conferência de imprensa Zhang Xiaohui, um dos vice governadores da autoridade monetária, considerando que o valor do yuan está agora próximo de "níveis de mercado".

O banco central actuará "quando a volatilidade de mercado for excessiva, quando o mercado começar a comportar-se como um manada de ovelhas" atirou por seu lado Yi Gang, também vice governador, citado pela Bloomberg, que considerou que os actuais níveis estão alinhados com os fundamentais económicos.


As declarações dos altos responsáveis chineses foram bem recebidas. "Há uma certa calma a regressar aos mercados" afirmou à Reuters, Mitul Kotecha, responsável pela estratégia cambial do Barclays para o Pacífico. "Os mercados percebem que as autoridades chinesas não querem que o yuan desvalorize de forma demasiado dramática", completou.

As bolsas europeias abriram a subir na quinta-feira, um movimento que também contagiou o PSI-20 que valorizava 1,3% durante a manhã.

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