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Banco de Inglaterra ajudou a vender ouro roubado pelos Nazis

Durante a Segunda Guerra Mundial, o banco central de Inglaterra guardou nos seus cofres ouro roubado pelo regime nazi ao banco central da Checoslováquia, avaliado na altura em 5,6 milhões de libras.

Guenter Schiffmann/Bloomberg
Inês Balreira inesbalreira@negocios.pt 30 de Julho de 2013 às 19:19
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Apesar de o Reino Unido ser um dos Estados que integrou as forças aliadas durante a Segunda Grande Guerra, o Banco de Inglaterra protagonizou um dos papéis mais obscuros na história dos bancos centrais.

 

De acordo com documentos, nunca antes publicados, sobre a actividade do banco na altura, que foi apenas revelada esta terça-feira no site da entidade, o Banco de Inglaterra guardou em 1939 ouro que o regime nazi roubou durante a invasão da Checoslováquia em 1938, assim como terá facilitado a sua venda posterior.

 

Durante a invasão à antiga Checoslováquia, o regime liderado por Adolf Hitler saqueou ouro do banco central daquele país. Um ano mais tarde, o ouro, avaliado na altura em 5,6 milhões de libras, foi transferido da conta do Banco Nacional da Checoslováquia no Banco Internacional de Pagamentos (BIS, na sigla inglesa), na altura o principal banco central, para uma conta do Reichsbank, o banco central da Alemanha.

 

Na altura, o episódio denegriu a imagem do BIS. Porém, o papel que o Banco de Inglaterra desempenhou neste episódio é menos conhecido. Segundo a informação disponibilizada pela própria entidade, que é referida num artigo do “Financial Times” (FT), o Banco de Inglaterra deu prioridade ao apaziguamento do BIS sobre os desejos do Governo britânico em congelar a venda de activos checos.

 

A entidade, que então tinha Otto Niemeyer como director executivo, que também era presidente do BIS, guardou nos cofres de Threadneedle Street grande parte do ouro saqueado pelos nazis. A história, escrita por funcionários da entidade monetária britânica, revela ainda que o banco britânico vendeu ouro em nome do regime de Hitler, sem esperar pelo consentimento do Governo britânico.

 

“Houve uma outra transacção de ouro no dia 1 de Junho [de 1939] quando se registou vendas (440 mil libras) e carregamentos (420 mil libras) para Nova Iorque a partir da conta número 19 do BIS. Esta representava o ouro que tinha sido enviado para Londres pelo Reichsbank”, refere o documento.

 

Os documentos referem ainda que Montagu Norman, então governador do Banco de Inglaterra, não era transparente no diálogo que mantinha com John Simon, primeiro-ministro na altura.

 

“A 26 de Maio, o chanceler escreveu ao governador inquirindo se o Banco de Inglaterra ainda detinha o ouro checo, uma vez que o esclarecimento poderia ajudá-lo a responder perguntas na Câmara. O governador, na sua resposta [a 30 de Maio], não respondeu à pergunta, referindo apenas que o banco detinha ocasionalmente ouro em nome do BIS e que não tinha conhecimento se esse ouro era propriedade do BIS ou dos seus clientes. Assim, não poderia responder se o ouro detido era propriedade do Banco Nacional da Chescoslováquia”, lê-se no documento, que é citado pelo FT.

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