Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Banco de Portugal diz recessão agrava-se no primeiro trimestre

A recessão na economia portuguesa acentuou-se fortemente no primeiro trimestre do ano, de acordo com indicações fornecidas hoje pelo Boletim de Conjuntura do Banco de Portugal.

Negócios negocios@negocios.pt 17 de Abril de 2003 às 14:02
  • Partilhar artigo
  • ...
A recessão na economia portuguesa acentuou-se fortemente no primeiro trimestre do ano, de acordo com indicações fornecidas hoje pelo Boletim de Conjuntura do Banco de Portugal.

A informação contrasta com a fornecida, também hoje, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), cujos indicadores mais abrangentes sugerem uma estabilização no primeiro trimestre.

O Indicador Coincidente do Banco de Portugal registou uma queda homóloga de 3,2%, quando havia baixado no último trimestre do ano passado 2,4%.

O Banco de Portugal reviu ainda em baixa os números da série, sobretudo referentes à segunda metade de 2002, o que sugere que a recessão no final do ano passado foi mais acentuada do que a informação até agora disponível deixava perceber.

Segundo o INE, o PIB sofreu uma contracção de 1,3% no último trimestre de 2002, depois de ter tido uma variação homóloga nula nos três meses entre Julho e Setembro.

Indicador Coincidente abaixo da recessão de 1993

O Indicador Coincidente, o barómetro mais abrangente do Banco de Portugal para medir a actividade económica, reunindo informação da indústria, comércio e construção, «não permite fornecer indicações quantitativas precisas sobre a taxa de variação do Produto Interno Bruto», adverte o Banco de Portugal. Em contrapartida, acompanha adequadamente a tendência da economia.

O nível depressivo a que se encontra o Indicador Coincidente é mais acentuado do que o mínimo histórico atingido na anterior recessão. No último trimestre de 1993, quando a actividade económica bateu no fundo, o Indicador Coincidente caiu apenas 1,1%. Uma queda inferior aos 3,2% hoje divulgados para o primeiro trimestre de 2003.

Todas as componentes da procura interna continuaram, nos primeiros três meses do ano, a reflectir o agravamento da situação económica. «Os indicadores disponíveis sobre a evolução do consumo privado sugerem a continuação da sua desaceleração no primeiro trimestre de 2003», afirma o Boletim do Banco de Portugal.

«No que diz respeito à Formação Bruta de capital Fixo (FBCF) em material de transporte, a informação disponível para os primeiros três meses de 2003 aponta para a manutenção da evolução negativa observada no ano anterior». Na área da construção, as indicações sobre a queda do investimento são igualmente más.

Sobre a procura externa, decisiva para a recuperação, o Banco de Portugal é muito reservado a fornecer indicações. As primeiras informações estatísticas são normalmente sujeitas a acentuadas revisões antes da divulgação dos números finais. Além disso, só estão disponíveis primeiras estimativas sobre a totalidade do comércio internacional para o primeiro mês do ano. Em Janeiro, em termos nominais e homólogos, as exportações aumentaram 5,1%, enquanto as importações caíram 3,5%.

Se a tendência de 2002 se tiver mantido, as taxas referidas têm implícitos ganhos nos termos de troca, ou seja, uma evolução comparativamente mais favorável dos preços das exportações sobre os preços das importações.

Essa evolução está relacionada com uma melhoria do défice externo. «No mês de Janeiro, o défice resultante da soma dos saldos das Balanças Corrente e de Capital diminuiu 169,1 milhões de euros face ao mesmo período do ano anterior, situando-se em 453 milhões».

Sobre o crédito interno, um sector particularmente crítico na actual conjuntura, os dados do Banco de Portugal sugerem que ele continua a crescer a ritmos muito elevados.

O crédito total ao sector privado não financeiro (empresas e famílias) aumentou 9,5% em termos homólogos, em Fevereiro, acima dos 9,4% de Janeiro. Registou-se uma aceleração do crédito às empresas - de 5,9% para 6,6% (e uma correcção em baixa) do aumento do crédito às famílias, de 12,6% para 12,1%.

Por Jorge Campos da Costa

Ver comentários
Outras Notícias