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Banco de Portugal mais pessimista para o investimento, mais optimista para o consumo

Contas feitas, a instituição liderada por Carlos Costa está mais pessimista sobre a evolução da economia portuguesa este ano, antecipando agora um crescimento de apenas 1,3%. Mas este sentimento não se estende a todas as rubricas.

Bruno Simão
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 08 de Junho de 2016 às 14:00
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Por trás desta previsão actualizada de crescimento económico - que passa de 1,5% para 1,3% -  o Banco de Portugal vê dois movimentos opostos: investimento e exportações deverão crescer menos; e consumo privado deve crescer mais.

 

Segundo o Boletim Económico do Banco de Portugal, publicado esta manhã, a formação bruta de capital fixo (FBCF) - ou investimento - deverá ficar praticamente estagnada em 2016, avançando somente 0,1%. A anterior previsão da instituição apontava para 0,7%. O que significa que uma verdadeira recuperação deste indicador fica adiada para 2017, quando o crescimento deverá atingir os 4,3%.

 

"A desaceleração da FBCF em 2016 reflecte a evolução quer do investimento público quer do investimento privado", pode ler-se no relatório do Banco. Além da desaceleração da construção, o crescimento do investimento em "máquinas e equipamentos" está "condicionado pelos efeitos desfasados da queda observada no segundo semestre de 2015", acrescenta.

 

No mesmo sentido de maior pessimismo, as exportações também devem seguir um ritmo mais lento, avançando apenas 1,6% (em vez dos 2,2% estimados em Março). As consequências desta travagem são ainda mais penalizadoras na vertente externa, porque as importações também devem acelerar (aumento de 2,8% em vez de 2,1%).

 

O menor ímpeto da venda de bens e serviços ao exterior reflecte a quebra do preço do petróleo (a Galp exporta combustíveis) e menor procura externa, em particular para mercados emergentes, como Angola, que deverão continuar a dar um contributo substancialmente negativo para as exportações nacionais.

 
Consumo das famílias cresce mais

No entanto, também há boas notícias neste documento do Banco de Portugal. O consumo das famílias portuguesas deverá crescer 2,1%. Ainda abaixo do valor projectado pelo Governo no Orçamento do Estado para 2016 (2,4%), mas mais elevado do que a previsão publicada em Março deste ano (1,8%). "O consumo privado deverá crescer 2,1% em 2016, desacelerando ao longo do horizonte de projecção para 1,7% em 2017 e 1,3% em 2018. No final do horizonte deverá situar-se num nível próximo do observado antes da crise financeira internacional", refere o Banco de Portugal.

 

O que vai puxar pelo consumo este ano? "Uma evolução favorável do rendimento disponível real das famílias e de expectativas mais favoráveis quanto ao rendimento permanente, num contexto de melhoria das condições no mercado de trabalho, de aumento do salário mínimo, de reversão de algumas medidas orçamentais implementadas durante o Programa de Assistência Económica e Financeira, bem como da manutenção do preço do petróleo em níveis historicamente reduzidos", explica o BdP.

 

O Banco de Portugal é mais uma instituição a mostrar-se afastada do Governo no que diz respeito às previsões de crescimento económico. Enquanto Mário Centeno e António Costa antecipam que a economia avance 1,8% (é o valor mais optimista), a OCDE já só espera 1,2%. A Comissão Europeia está a meio caminho entre as duas previsões, estimando uma variação do PIB de 1,5%.

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