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Banco de Portugal revê em alta exportações e em baixa procura interna

O Banco de Portugal manteve a previsão de crescimento económico este ano em 1,2%, no Boletim Económico de Outono, numa altura em que os dados apontam para que a procura interna penalize a economia nacional, enquanto as exportações registaram uma melhoria.

Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 14 de Novembro de 2006 às 15:30

O Banco de Portugal manteve a previsão de crescimento económico este ano em 1,2%, no Boletim Económico de Outono, numa altura em que os dados apontam para que a procura interna penalize a economia nacional, enquanto as exportações registaram uma melhoria.

Segundo os dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP), este ano o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional deverá situar-se nos 1,2%, um valor abaixo das projecções do Governo – que aponta para 1,4%.

Em Setembro, o governador do BdP admitiu efectuar uma revisão em alta do crescimento da economia portuguesa este ano, face aos 1,2% que tinha previsto no Verão. Na altura, Vítor Constâncio, admitiu mesmo que a revisão em alta surgisse no Boletim Económico de Outono.

Contudo, esta revisão não se verificou, o que poderá ser justificado pela deterioração do investimento e do consumo público.

O valor do crescimento económico "é idêntico ao projectado no Boletim Económico do Verão, mas tem subjacente uma alteração significativa da composição da despesa. Com efeito, verifica-se uma revisão em alta do crescimento projectado para as exportações, consistente com uma evolução mais favorável desta variável do que o anteriormente previsto, a par de um crescimento menor da procura interna e, consequentemente, das importações", refere o BP no Boletim.

De acordo com as estimativas do Banco de Portugal, o investimento - Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - deverá diminuir em 3,2% este ano quando comparado com o ano passado, o que representa uma revisão em baixa das previsões, já que no Boletim de Verão o BP esperava que a queda fosse de 1,2%.

Esta diminuição da FBCF é justificada em parte pela "necessidade de correcção do desequilíbrio das contas públicas" o que se tem "traduzido numa diminuição significativa do investimento das administrações públicas".

O consumo público também deverá registar uma variação negativa de 0,2% face ao ano passado, quando no último Boletim o BdP projectava um acréscimo de 0,7%. O consumo privado também deverá registar um crescimento menor do que o inicialmente previsto. A última estimativa aponta para um aumento de 1,1%, quando no Verão o BdP apontava para 1,3%.

Já as exportações deverão verificar um comportamento oposto. O Banco de Portugal aponta para que este ano as exportações aumentem 9%, o que representa uma revisão em alta dos 8,4% esperados no Verão.

Com este acréscimo, o contributo das exportações para a variação do PIB também deverá melhorar para 1,1 pontos percentuais (p.p.) quando no Boletim do Verão se previa um contributo de 0,3 p.p..

"A evolução da economia portuguesa em 2006 tem sido marcada por uma aceleração da actividade assente no comportamento dinâmico do sector exportador, pela quase estabilização da taxa de desemprego e por uma redução do desequilíbrio das contas externas e públicas. Um elemento importante da evolução da economia portuguesa foi, assim, o início da concretização plena de um processo de consolidação orçamental, cuja continuidade será fundamental para garantir um quadro estável de crescimento económico a médio-prazo", de acordo com o Boletim Económico de Outono.

O BdP adianta que as estimativas de crescimento assenta em grande parte nas previsões de crescimento das exportações, mas salienta que "a volatilidade do comércio externo, que desde o início do ano tem excedido consideravelmente os níveis habituais, introduz, no entanto, uma incerteza considerável em torno das estimativas apresentadas".

A procura interna deverá ser pressionada pelo aumento das taxas de juro, que desde o final do ano passado têm vindo a registar aumentos progressivos. Este segmento também tem sido condicionada pela "necessidade de correcção do desequilíbrio estrutural das contas públicas, num contexto de manutenção de um baixo crescimento tendencial da economia portuguesa".

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