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Banif diz que recapitalização de 500 milhões de euros é ainda uma estimativa

Jorge Tomé afirmou ontem que o Banif deverá necessitar de um reforço de capital de 500 milhões de euros.

Negócios com Lusa 31 de Maio de 2012 às 12:16
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O Banif sublinhou hoje que os montantes referidos em vários órgãos de comunicação social “consubstanciam uma estimativa enquadrada nos planos de capitalização que serão formalmente entregues junto da autoridade de supervisão e que serão objecto de discussão e negociação junto das entidades competentes, nomeadamente o Banco de Portugal e o Estado Português”.

À presente data, refere o Banif no comunicado à CMVM, “o montante, os participantes, os instrumentos financeiros e os demais termos em que poderá vir a ser concretizado tal aumento de capital não se encontram estabelecidos, estando os termos de tal operação dependentes de diversos factores, nomeadamente, do processo de submissão formal do pedido de recapitalização, bem como do processo de discussão e negociação que será necessário promover com as entidades públicas e privadas envolvidas”.

Recorde-se que foi referido em vários media que “o Banif está a preparar uma operação de aumento de capital da ordem dos 500 milhões de euros” e que “(…) haja um recurso a accionistas privados da ordem dos 100 a 150 milhões de euros, um recurso à linha de recapitalização do Estado da ordem dos 350 milhões de euros”, dos quais “(…)uma linha de capital de 250 milhões de euros e uma linha de capital contingente de 100 milhões de euros”.

O programa de recapitalização do Banco Internacional do Funchal - Banif - será no mínimo de 500 milhões de euros e deverá estar concluído em Julho, disse ontem o presidente da comissão executiva, Jorge Tomé (na foto), citado pela Lusa.

"A operação de capitalização que nós estamos a montar vai ser da ordem dos 500 milhões de euros, temos que prever que 2012 vai continuar a ser um ano ainda muito afectado pela crise", disse Jorge Tomé, no final da assembleia-geral anual da Banif SGPS que aprovou as contas relativas a 2011.

No ano passado, o grupo registou resultados líquidos consolidados negativos da ordem dos 161,6 milhões de euros. "O que nós temos previsto no plano de recapitalização é capitalizar o Banif SA e não o Banif SGPS", explicou.

"Nós vamos concentrar toda a nossa actividade bancária no Banif SA, vamos operar uma grande reestruturação societária no sentido de simplificar o grupo, e o centro do grupo vai ser o Banif SA, que vai ser o veículo de capitalização", referiu.

"O cenário de aumento de capital tem de ser concebido de forma que se dê alguma margem de segurança para algum desvio negativo que possa ser operado este ano por força da envolvente externa financeira, portanto, o aumento mínimo de capital vai ser de 500 milhões de euros", anunciou.

Questionado sobre a forma em que a mesma operação será feita, Jorge Tomé referiu que "a fórmula ainda não está completamente fechada".

"Nós vamos ter que negociar com o Estado e com os próprios accionistas privados e o que nós estamos a prever - mas como digo ainda não está fechado - é que haja um recurso de accionistas privados da ordem dos 100 a 150 milhões de euros, um recurso à linha de capitalização do Estado da ordem dos 350 milhões de euros e, dentro desses 350 milhões de euros, aquilo que nós estamos a prever é uma linha de capital 250 milhões de euros e uma linha de capital contingente de 100 milhões de euros".

"Mas isto não está fechado, isto é um desenho de partida, estamos a trabalhar mas depende da evolução que as negociações com o Estado vão definir", acrescentou.

"O processo de capitalização vai começar agora, vamos iniciar as negociações com o Estado, vai passar também pela marcação de uma assembleia-geral do Banif SGPS e do Banif SA (que ainda não estão marcadas) e o processo deverá ser finalizado no final de Julho", disse ainda.

O gestor adiantou também que o banco passará por um "programa de redução de custos tanto a nível de pessoal como ao nível do fornecimento de serviços externos" que implicará o encerramento de balcões, dois a três dos quais na Madeira.

"Estamos a prever que este programa, em velocidade de cruzeiro (dentro de um ano), possa reduzir cerca de 20 milhões de euros na conta de resultados do grupo", observou. Obviamente vão ser operados alguns despedimentos, é inevitável, mas são movimentos que serão graduais e vamos ter especial atenção para que isso não tenha grandes impactos em termos sociais no cômputo do grupo", admitiu.

Jorge Tomé disse ainda que 2011 "foi marcado por fortes ajustamentos no sistema bancário", realçando, contudo, que "as principais variáveis de exploração até não correram mal, não tiveram comportamento diferente dos outros bancos".

"A grande diferença relativamente aos anos anteriores - adiantou - foi o crescimento das imparidades por força do crédito vencido. Foi o ano em que se corrigiu fortemente a carteira de crédito", a qual registou "mais de 250 milhões de euros de imparidades" que, a não terem existido, o banco teria atingido um resultado de exploração positivo de 100 milhões de euros. "O ano, apesar de tudo não correu mal, há sim um forte ajustamento", concluiu.
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