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Banqueiros europeus acreditam que a Europa está a lidar bem com a crise

Um painel de economistas de alguns dos principais bancos europeus concordou esta segunda-feira, numa conferência em Nova Iorque, que a Europa está a lidar bem com a crise, mas ainda tem um longo caminho a percorrer.

Reuters
Lusa 20 de Maio de 2014 às 00:44
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"A Europa ainda não está recuperada, mas é benéfico pensarmos que sim", disse Mark Cliff, do banco holandês ING, no painel de discussão "A Europa está recuperada?" Cliffe acrescentou que "estão a ser feitos progressos, reformas estão a ser implementadas e o BCE [Banco Central Europeu] tem estado a actuar muito bem nos últimos dois anos", dando como exemplo o acordo sobre união bancária, alcançado este ano.

 

A conferência, que faz parte da programação dos "Pan European Days", contou ainda com a participação dos economistas-chefe Michala Marcussen, do francês Société Générale, Siegfried Top, do belga KBC, e do português José Brandão Brito, do Millennium BCP.

 

Michala Marcussen defendeu que a confiança na acção do BCE, partilhada pelos outros participantes, pode prejudicar os resultados a longo prazo. "Estamos a confiar demais no BCE. Quanto mais confiarmos, menos acção e menos vontade política para conduzir reformas podemos esperar", explicou a economista, acrescentando que as reformas necessárias podem aumentar o Produto Interno Bruto da União Europeia em 20 por cento ao longo de uma década.

 

Mark Cliffe sublinhou a importância destas reformas e defendeu que estas são, sobretudo, necessárias em alguns dos maiores países europeus. "Muita atenção tem sido dada aos esforços de países como Portugal e Irlanda. Mas, por mais importantes que sejam, não são tão importantes como outros países maiores como a França e a Itália, onde ainda não vimos reformas suficientes", defendeu o holandês.

 

Siegfried Top defendeu que a "Europa está sempre a caminhar, mas com pequenos passos, apenas dá grandes passos quando atravessa uma crise, como aconteceu nos últimos anos."

 

Quanto ao futuro, José Brandão de Brito defendeu que as próximas eleições para o Parlamento Europeu, que se iniciam a 22 de maio, e que se realizam no dia 25, em Portugal, podem representar um risco. "Um aumento do poder dos antieuropeístas é um risco para as reformas que têm de acontecer a nível europeu", explicou o português.

 

Brandão Brito conclui dizendo que "nenhuma sociedade está alguma vez completamente recuperada, mas a Europa está bem e a caminhar na direcção certa."

 

Questionados pelo público sobre o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento entre a União Europeia e os Estados Unidos, todos os participantes concordaram que nenhum consenso será alcançado a curto prazo.

 

A conferência faz parte da programação dos "Pan European Days", uma iniciativa da Bolsa Portuguesa (NYSE Euronext) e do Millennium BCP, em que participam empresas do PSI20, principal índice da Bolsa de Lisboa, e vários representantes do Estado português, a par de outros das bolsas de França, Bélgica e Holanda.

 

Até quarta-feira, Nova Iorque vai ser palco de dezenas de reuniões entre 13 empresas do PSI20 e 67 investidores norte-americanos.

 

O Governo Português está representado pela secretária de Estado do Tesouro, Isabel Castelo Branco. O presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), João Moreira Rato, também participa nos encontros.

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