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Barómetro: PSD morde os calcanhares ao PS a dois meses das europeias

Socialistas estão a perder o gás nas sondagens e o PSD já só está a 3,5 pontos de distância. Confiança no Governo aproxima-se de máximos de há dois anos e Passos Coelho quase apanha Seguro nas preferências para primeiro-ministro.

João Miguel Rodrigues/Correio da Manhã
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 21 de Março de 2014 às 18:00
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Se o barómetro de voto legislativo da Aximage for um bom indicador da confiança do eleitorado para as eleições europeias, o PS tem razões para estar preocupado. Desde Janeiro que tem vindo a descer nas intenções de voto, recolhendo agora 36,8% das preferências dos inquiridos. Já o PSD tem estado a subir consecutivamente desde Outubro do ano passado, altura em que apresentou o Orçamento do Estado para 2014. Tem 33,3% das intenções de voto, a uns meros 3,5 pontos de distância.

 

O inquérito mede as intenções de voto para as legislativas e não para as europeias, mas em Setembro de 2013, mês das autárquicas, a diferença entre os dois partidos era bem superior, 7,3 pontos, e o PSD acabou por sofrer uma derrota pesada nas urnas, ficando com menos municípios e freguesias que o PS. Face a Fevereiro, o PSD sobe quase dois pontos, de 31,4% para 33,3%. Já o PS desce de 38,1% para 36,8%. Se esta tendência se mantiver até às eleições, marcadas para 25 de Maio, os dois partidos devem registar intenções de voto muito semelhantes.

 

Nas europeias, PSD e CDS concorrem coligados. No barómetro da Aximage, elaborado para o Negócios e Correio da Manhã, os centristas recolhem 5,7% das intenções de voto, uma subida face aos 5,4% de Fevereiro. Somando as intenções de voto dos dois partidos que integram a coligação que suporta o Governo, PSD e CDS recolhem 39% dos votos, o que relega o PS para o segundo lugar.

 

Uma coligação pré-eleitoral nas legislativas de 2015 é um cenário que agrada a Passos Coelho, mas que Paulo Portas só admite com “razões muito fundamentadas”.

 

Além da queda do PS e da subida do PSD, há ainda que destacar igualmente a progressão da CDU, que agrega o PCP e os Verdes, que passam de 9,7% das intenções em Fevereiro para 11,7% no barómetro deste mês. O Bloco de Esquerda faz uma troca exacta com o CDS: passa de 5,7% para 5,4%.

 

Passos e Seguro separados por apenas um ponto

 

O barómetro da Aximage também avalia a confiança dos inquiridos para o primeiro-ministro. À pergunta “Em quem é que tem maior confiança para primeiro-ministro”, 36,8% dos 587 inquiridos respondeu António José Seguro. Passos Coelho vem logo a seguir, reunindo 35,5% das preferências. A opção “nenhum dos dois” está mais longe, tendo sido escolhida por 26,2% dos inquiridos.

 

Face a Fevereiro, Seguro perdeu 1,1 pontos (tinha 37,9% das preferências), enquanto Passos Coelho progrediu quase dois pontos (passa de 33,7% para 35,5%). O actual primeiro-ministro, aliás, tem o melhor resultado neste particular desde há um ano.

 

Também a confiança no Governo está a recuperar os melhores resultados do início da legislatura. O Índice de Expectativas no Governo é negativo, registando uma nota de -26, mas trata-se um resultado apenas batido pelas classificações de Fevereiro e Abril de 2012, quando este Governo ainda não tinha completado um ano em funções.

 

Ainda assim, 53,4% dos inquiridos considera que o Executivo de Passos Coelho está a governar pior do que esperava, e apenas 8,3% considera que está a governar melhor.

 

A avaliação de Cavaco Silva também melhora, e o Presidente da República recebeu a melhor nota dos últimos 12 meses, 8,4, numa escala de 0 a 20. Face a Fevereiro, o chefe de Estado sobe quase um ponto – teve 7,5.

 

Cristas é a ministra com melhor nota, Jerónimo e Semedo/Martins empatados

 

Assunção Cristas continua a cotar-se como a melhor ministra, mantendo-se nessa posição desde Julho do ano passado. Este mês, a ministra da Agricultura e do Mar recebeu uma nota de 11,7. Miguel Macedo, com 9,9, e Marques Guedes, com 9,3, fecham o pódio. Nuno Crato e Pedro Mota Soares, com 5,3 e 6,4, são os piores ministros, na opinião dos inquiridos.

 

Já a avaliação dos líderes partidários foi, este mês, madrasta para Jerónimo de Sousa: o secretário-geral do PCP perdeu a liderança isolada de Fevereiro e passou a partilhá-la com a dupla João Semedo e Catarina Martins, os dois líderes do Bloco. Todos registaram uma nota de 10,3. Seguro segue assim na segunda posição, com 8,1, seguido por Paulo Portas, com 6,8, e Passos Coelho, com 6. À excepção de Seguro e Jerónimo de Sousa, todos os outros líderes partidários sobem face a Fevereiro.

 

 

 

Ficha técnica

Universo: indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel.

 

Amostra: aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo e foi extraída de um sub-universo obtido de forma idêntica. A amostra teve 587 entrevistas efectivas: 266 a homens e 321 a mulheres; 131 no interior, 248 no litoral norte e 208 no litoral centro sul; 157 em aldeias, 202 em vilas e 228 em cidades. A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral.

 

Técnica: Entrevista telefónica por C.A.T.I., tendo o trabalho de campo decorrido nos dias 8 a 11 de Março de 2014, com uma taxa de resposta de 78,5%.

 

Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 587 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,020 (ou seja, uma “margem de erro” - a 95% - de 4,00%).

 

Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz.

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