Ambiente Barragens do plano nacional "escondidas" no território e dos portugueses, diz GEOTA

Barragens do plano nacional "escondidas" no território e dos portugueses, diz GEOTA

As unidades do novo plano de barragens "estão escondidas" dos portugueses por terem localizações de difícil acesso, mas também por falta de informação, disse a coordenadora do Projecto Rios Livres, do GEOTA, hoje apresentado à imprensa, em Lisboa.
Barragens do plano nacional "escondidas" no território e dos portugueses, diz GEOTA
Correio da Manhã
Lusa 24 de abril de 2015 às 20:50

"As novas barragens estão escondidas territorialmente e dos portugueses", afirmou Ana Brazão, responsável do projecto do Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), através do qual analisou a execução do Programa Nacional de Barragens, acrescentando que as populações, nomeadamente as mais afectadas, desconhecem os dados sobre os projectos, localização, prazos de construção ou consequências da instalação das explorações hídricas.

 

Através do projecto Rios Livres do GEOTA, Ana Brazão recolheu imagens da situação, no terreno, entre 19 e 27 de Fevereiro, e contactou (ou tentou contactar) população e várias entidades, como as juntas de freguesia das localidades mais perto de cada um de seis projectos de aproveitamento hidroeléctrico.

 

O resultado foi uma análise à execução do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico, intitulada "Onde se escondem as novas barragens" previstas, e das quais "somente a de Foz Tua está em construção", e da qual resulta a certeza de que "há falta de informação", segundo a coordenadora do projecto.

 

A barragem de Foz Tua tem um investimento previsto de 370 milhões de euros, foi adjudicada à Mota-Engil, Somague e MSF, vai inundar 420 hectares e ter uma potência instalada de 260 megawatts, contribuindo com 0,6% para o total da produção eléctrica nacional (dados de 2012). A sua construção iniciou-se em 2011 e a conclusão está prevista para o segundo semestre de 2016.

 

Na análise do projecto Rios Livres, na barragem de Fridão, no rio Tâmega, afluente do Douro, onde serão investidos 304 milhões de euros e que terá uma potência instalada de 238 megawtts, com concessão à EDP Produção, ainda não é conhecida a data para início da construção.

 

O mesmo desconhecimento é apontado para a barragem de Daivões, igualmente no rio Tâmega, na freguesia de Cavez, em Cabeceiras de Basto, com um investimento previsto de 1.600 milhões de euros, com concessão à Iberdrola, assim como para a barragem de Gouvães, freguesia de Alvão, com valor previsto semelhante.

 

São igualmente desconhecidas as datas para início das obras dos projectos de barragem no Alto Tâmega, também com investimento previsto de 1.600 milhões de euros, e de Girabolhos-Bogueira, no rio Mondego, com impacto nos concelhos de Nelas, Seia, Mangualde e Gouveia, com 500 milhões de euros.

 

Na visita ao local indicado para a primeira barragem do Sistema Electroprodutor do Tâmega, barragem de Fridão, o Projecto Rios Livres detectou a existência de "marcações no terreno, acessos já criados e perfurações geológicas nas duas margens".




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