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Barroso acusado de só apoiar países grandes

Comissários europeus de peso, como Mcgreevy, Mandelson e Kroes, acusam Barroso de ceder ao eixo Paris-Berlim para garantir segundo mandato.

Negócios negocios@negocios.pt 22 de Dezembro de 2006 às 07:46
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Comissários europeus de peso, como Mcgreevy, Mandelson e Kroes, acusam Barroso de ceder ao eixo Paris-Berlim para garantir segundo mandato.


O presidente da Comissão Europeia (CE), Durão Barroso, está a ser alvo de críticas da sua própria equipa por, dizem alguns comissários, ceder com facilidade às pressões dos grandes estados da União Europeia, refere o "Diário Económico".

Nos últimos meses, estes comissários têm mostrado algumas reservas sobre o estilo de liderança de Durão Barroso, todavia, estas só foram expostas por ocasião da última reunião, que teve lugar a semana passada em Bruxelas, revela uma fonte próxima do processo.

Os críticos alegam que Durão Barroso foi extremamente expedito em pôr de lado as medidas de abertura do mercado europeu para agradar aos poderosos governos da UE, especialmente a França e à Alemanha.

A posição do presidente foi contestada durante o encontro por três liberais de peso da Comissão: Charlie McCreevy, comissário do Mercado Interno, Peter Mandelson, comissário do Comércio e Neelie Kroes, que detém a pasta da Concorrência. McCreevy terá pedido ao presidente para não negociar acordos secretos com os maiores estados, frisando que a Comissão corre o risco de perder a sua imagem de imparcialidade e alertando para o facto de os países mais pequenos poderem reagir mal a esta posição. Segundo fontes próximas do processo, os outros dois comissários subscreveram as críticas de McCreevy.

A intervenção de McCreevy teve lugar na sequência de um pedido da Alemanha para a Comissão travar, ou pelo menos suspender, dois procedimentos de infracção contra Berlim. A Alemanha, que assume a presidência rotativa da UE já em Janeiro pretendia, assim, evitar um diferendo embaraçoso com Bruxelas durante o semestre em que vai liderar a União.

Os dois casos em questão referem-se à alegada incapacidade do executivo de Berlim de implementar a directiva dos serviços - que permitiria às empresas deslocalizar trabalhadores para prestarem serviços noutros estados-membro - e às barreiras impostas à entrada de limpa-chaminés estrangeiros no país. Uma questão sensível, na medida em que impede os trabalhadores da Europa de Leste de entrarem no mercado de trabalho alemão.

Durão Barroso pedira anteriormente ao comissário McCreevy para não incluir estes casos noutros procedimentos de infracção pendentes e para prosseguir conversações com as autoridades alemãs a fim de resolver este diferendo. A troca de palavras foi descrita por alguns dos presentes como "bastante dura" e que, mais tarde, o presidente da CE foi persuadido a não dar tratamento especial aos casos em questão.

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