Saúde Bastonária da Ordem dos Enfermeiros sobre eutanásia: “Nunca disse que vi praticar”

Bastonária da Ordem dos Enfermeiros sobre eutanásia: “Nunca disse que vi praticar”

Depois da polémica sobre as declarações da bastonária da Ordem dos Enfermeiros sobre eventuais práticas de eutanásia nos hospitais, Ana Rita Cavaco esclarece que: “nunca disse que vi praticar [ou] que se praticava”.
Bastonária da Ordem dos Enfermeiros sobre eutanásia: “Nunca disse que vi praticar”
Filipa Couto/Correio da Manhã
Ana Laranjeiro 29 de fevereiro de 2016 às 16:36

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco (na foto), deu a entender este sábado, no programa "Em nome da Lei", da Rádio Renascença (RR) que há situações em que a eutanásia é praticada no serviço nacional de saúde. Durante a sua intervenção, Ana Rita Cavaco disse que viveu "situações pessoalmente", não precisando de ir buscar outros exemplos, em que médicos sugeriram dar aos pacientes insulina, o que lhes provocaria o coma.

"Médicos e enfermeiros trabalham em equipa – e houve médicos que sugeriram, por exemplo, administrar insulina àqueles doentes para lhes provocar um coma insulínico", disse à RR. Quando questionada se estas situações ocorreram no Serviço Nacional de Saúde (SNS), a bastonária salientou que: "não estou a chocar ninguém porque quem nos está a ouvir e trabalha no SNS sabe que estas coisas acontecem". "Não estou a dizer que as pessoas o fazem. O que estou a dizer é que temos de falar sobre elas. Sabemos que isto existe e existe por debaixo do pano, portanto, vamos falar abertamente", acrescentou.

Estas palavras geraram polémica. Em declarações à SIC Notícias, Ana Rita Cavaco já veio esclarecer o que pretendia dizer. "O que quis dizer quando falei no debaixo do pano é que Portugal não gosta de discutir temas que são fracturantes. Não gosta de fazê-lo abertamente. Nunca disse que vi praticar, que se praticava, que administraram, que vi administrar [medicamentos que acabassem por levar à estados de coma ou eventualmente morte] porque isso é um crime. Não me podem ser imputadas afirmações que não disse. O que devemos fazer é esta discussão", afirmou a responsável à estação de televisão.

"O que disse era que era sugerido, que se falava destas questões em equipa. Evidentemente, nunca vi administrar, nunca vi fazer, nem nunca fiz. Este é ponto fulcral. Aquilo que me preocupa é as condições que hoje não existem nos serviços do sistema de saúde público todo para que as pessoas estejam em segurança", acrescentou.

O jornal Observador avançou entretanto que o Ministério Público pretende abrir um inquérito às declarações de Ana Rita Cavaco. Questionado pelo Negócios, o Ministério Público confirma que sempre que tem conhecimento de factos susceptíveis de integrarem a prática de crimes, age em conformidade.

Ministro mantém confiança nos médicos

Adalberto Campos Fernandes, ministro da Saúde, sustentou esta segunda-feira que não acredita que os profissionais da área da saúde não cumprem a lei no que diz respeito à eutanásia, escreve a Lusa. "Solicitei à Inspetora-geral das Actividades em Saúde que tomasse uma primeira iniciativa para esclarecer eventuais dúvidas que possam existir. Não acreditamos que os profissionais do SNS não façam aquilo que a lei determina, que a sua consciência exige e que os princípios da ética e rigor profissional exigem, por isso vamos ter serenidade", disse o governante à margem de uma visita à Associação Raríssimas, na Moita.

"Não tenho a certeza que as palavras da senhora bastonária não tenham sido mal interpretadas e creio que ela terá oportunidade de explicitar o que queria dizer e eu não me quero antecipar a um juízo de intenção ou de valor sobre as declarações", disse ainda.

Já esta manhã, um comunicado do ministério da Saúde dava conta que tinha sido pedido à Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) "com carácter de urgência e tendo em vista o cabal esclarecimento dos cidadãos, uma intervenção da IGAS com vista ao apuramento dos factos".    

A Ordem dos Médicos já reagiu a estas declarações da bastonária da Ordem dos Enfermeiros. Os médicos consideram que as palavras de Ana Rita Cavaco, que sugerem que de alguma forma a eutanásia já é praticada no SNS, são "gravíssimas". Em comunicado citado pela Lusa, a Ordem dos Médicos diz que vai enviar as declarações de Ana Rita Cavaco para a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), para o Ministério Público e para os próprios órgãos disciplinares da Ordem dos Enfermeiros, para os "procedimentos tidos por convenientes".

Além disso, a instituição liderada por José Manuel Monteiro de Carvalho e Silva defende que não tem conhecimento de casos de eutanásia "explícita ou encapotada nos hospitais do SNS ou noutras instituições de saúde". 




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