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BBVA estima crescimento de 0,3% no terceiro trimestre e de 1% em 2014

A análise macroeconómica realizada pelo BBVA aponta que a economia portuguesa terá crescido em torno dos 0,3% no terceiro trimestre do ano, suportada por "factores internos". Por outro lado, em 2014, a economia nacional deverá avançar cerca de 1%.

Miguel Baltazar/Negócios
Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 20 de Outubro de 2014 às 11:57
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A análise macroeconómica realizada pelo banco espanhol BBVA sugere que a economia portuguesa cresceu entre 0,2% e 0,3% no terceiro trimestre do ano face ao trimestre anterior. A nota a que o Negócios teve acesso, revela que "após um segundo trimestre de 2014 em que o desempenho das exportações líquidas foi o principal factor dinamizador de crescimento do PIB, os dados disponíveis de actividade e confiança sugerem que a recuperação, ainda que lenta, prosseguirá a um ritmo estável no terceiro trimestre". O banco espanhol considera que esta "recuperação" é sustentada "por factores internos, enquanto a contribuição do sector externo poderá diminuir".

 

Esta perspectiva está em linha com a já divulgada em Setembro. Na altura, o banco estimava um crescimento de 0,2% no terceiro trimestre devido ao desempenho positivo da indústria e das exportações. A apoiar a actividade económica está ainda a evolução do desemprego, com a taxa a recuar progressivamente.

 

No que diz respeito ao comportamento das exportações e das importações, a nota do BBVA divulgada esta segunda-feira, 20 de Outubro, considera que ambas registaram "uma tendência positiva até Agosto". "No que respeita às exportações, a moderação das encomendas do exterior pressagiam que este comportamento se pode reverter nos próximos meses em virtude do agravamento da conjuntura económica da Zona Euro, enquanto a recuperação da procura interna poderá continuar a sustentar o aumento das importações", acrescenta a nota de análise.

 

O desemprego "continua a cair a um ritmo mais elevado do que o previsto", ficando nos 14% em Agosto. E a inflação "após sete meses em taxas negativas", manteve-se "estável em Setembro em virtude da moderação da queda dos preços dos bens alimentares, principalmente dos não processados".

 

No total do ano, o banco espanhol antecipa que Portugal terá crescido 1%, suportado pela procura doméstica. "Em geral, os

Os dados disponíveis de actividade e confiança sugerem que a recuperação, ainda que lenta, prosseguirá a um ritmo estável no terceiro trimestre.
 
BBVA

fundamentos da procura interna deverão substituir as exportações líquidas como principal motor de crescimento: o sector público contribuirá de uma forma menos negativa para o crescimento do que em anos anteriores e o investimento poderá ser encorajado pelos dados positivos de confiança empresarial registados nos últimos meses. Adicionalmente, apesar do aumento das exportações, o dinamismo da procura interna está a ter um impacto directo sobre o aumento das importações, acabando por limitar a contribuição das exportações líquidas", pode ler-se ainda no documento.

 

Em relação ao défice para este ano, a instituição espanhola antecipa que fique "próximo da meta de 4%" do PIB.

 

Católica e Montepio revêm em baixa estimativas

 

A análise do BBVA surge depois de o Montepio e da Universidade Católica terem já revelado as suas perspectivas. Para a Católica, a economia portuguesa só deverá crescer 0,7% este ano e 1,3% em 2015, segundo as últimas estimativas da Universidade Católica. A evolução tem sido "frágil" e está sujeita a "potenciais choques", em particular a conjuntura europeia e a banca nacional.

 

O crescimento no terceiro trimestre deste ano terá sido muito ténue, e a evolução económica "frágil" condiciona as perspectivas de crescimento para este e para o próximo ano, que será, por isso, inferior ao que estava previsto. Os especialistas antecipam que a economia portuguesa terá crescido apenas 0,1% no terceiro trimestre em cadeia (em relação ao trimestre anterior) e 0,8% em termos homólogos (em relação ao mesmo trimestre do ano passado), o que representa uma evolução "ténue".

 

Já o Montepio reviu em baixa o crescimento do PIB português neste ano de 2014. Os analistas justificam a revisão em baixa com o facto de o resultado do primeiro semestre "ter ficado aquém do esperado" obrigando a reavaliar a estimativa, "de 1,2% para 1,0%, voltando agora a rever-se em baixa em 0,1 pontos percentuais, para 0,9%, um valor inferior aos 1,0% admitidos pelo Governo" no Orçamento do Estado para 2015.

 

Para o segundo semestre, a expectativa do banco é que "a economia acelere", acompanhando a tendência da Zona Euro, a melhoria da confiança dos consumidores e dos empresários e "os efeitos positivos que a redução da taxa de desemprego iniciada no segundo trimestre de 2013 terão na revitalização da procura interna".

 

O estudo refere também condicionantes ao crescimento, incluindo a política orçamental e as condições de financiamento restritivas e "a instabilidade em torno do Grupo Espírito Santo, que tem vindo a provocar perdas nos activos financeiros portugueses, directamente nas acções do BES e indirectamente nas acções da maioria das empresas portuguesas, mas também sobre as obrigações de dívida pública, que viram o seu spread alargar-se face à dívida alemã".

 

O Montepio observa que, apesar da descida do desemprego, a taxa continua a ser "elevadíssima historicamente", sendo um dos principais constrangimentos para a economia portuguesa.

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